No último dia 30, a Câmara de Vereadores, por meio da Comissão de Constituição e Justiça, recebeu uma denúncia, por meio de documento, fotos, vídeos e áudios, que comprovam irregularidades praticadas durante a eleição para o Conselho Tutelar, realizada no dia 01 de outubro. O mesmo documento e seus anexos já haviam sido protocolados junto ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso, na 4ª Promotoria de Justiça de Rondonópolis.
Um grupo de pessoas que concorreram ao cargo, juntou provas que põe em check a lisura do processo, que demonstram a interferência de servidores da administração e o uso de cargo de chefia para coagir servidores a votarem nos candidatos apoiados por eles.
Entre as provas, está um print que, de acordo com o documento, seria de um grupo do aplicativo de mensagens Whatsapp, administrado por, entre outras pessoas, Odair Mendes, “membro ativo da base do prefeito José Carlos do Pátio e companheiro da candidata lsabela Piana”. Nele, Odair pede calma às pessoas da comunidade chamada ‘Todos com Isabela Piana’ e é informado por uma pessoa com nome de Maristela, que o local onde ela está não houve problemas e que as “caronas” estão acontecendo sem interferências.

MENSAGEM TRANSCRITA
Odair – pessoal, vamos manter a calma, não vamos entrar em confronto, deixa eles provocarem. Se eles tiverem fazendo coisa errado, filha chama a Polícia.
Maristela – Aqui tudo tranquilo, estamos dando carona sem problemas.
Odair – essa turma aí da Mariúva e do Thiago eles joga sujo. Deu problema lá, mas tudo resolvido.
Em outro material, também extraído de um grupo de Whatsapp, Odair troca áudios com uma pessoa, referente a captação de eleitores.
Outros prints do grupo, que conotam o transporte irregular de eleitores, também estão entre as provas.

Quem também aparece na conversa é a própria candidata, Isabela Piana. Em um print enviado junto a denúncia, ela dá instruções de como as pessoas devem trabalhar no dia da eleição e, entre elas, reforça o cuidado a ser tomado na hora das “caronas amigas”, nome dado pelos responsáveis pela campanha para o transporte de eleitores.

Outra “prova” apresentada pelos denunciantes, é um print de um grupo de mensagens, onde uma mulher por nome Ione cobra a intensificação dos trabalhos por parte dos membros. Como consta em uma captura de tela anexada, um funcionário ou funcionária da nefrologia relata ter encaminhado pedidos de votos para o candidato Marcos Willian aos trabalhadores do setor, pacientes e familiares, ficando evidente o uso de informações privilegiadas.

APURAÇÃO
Após a eleição, no dia 1º de outubro deste ano, uma apuração foi realizada. Em um primeiro momento, a comissão organizadora se recusou a apresentar os números, mas após pressão dos candidatos, um boletim foi divulgado. Porém, ele foi questionado, pois, em posse de alguns boletins de urna, candidatos questionaram seus votos. Uma recontagem foi agendada para o dia seguinte.

No dia 2 de outubro, houve recontagem e um boletim oficial foi publicado. Veja que, entre os números desencontrados que aparecem no primeiro e no segundo documento, um chama a atenção. A candidata Claudia Ribeiro aparece em último na região central, com 12 votos. No dia seguinte, no boletim publicado, ela aparece com 646 votos. A 4ª mais votada da região.

RESPOSTA
Outras provas foram juntadas ao documento, que também foi protocolado no Ministério Público como pedido de providências referente a conduta dos candidatos do Processo Unificado de Escolha do Conselho Tutelar. O grupo aguarda resposta deste órgão.
Quanto a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara de Vereadores, esta emitiu um documento assinado pelo presidente, Subtenente Guinâncio, onde consta a adoção de um Procedimento Legislativo de Controle Externo (PCE), visando apuração dos supostos fatos e da extensa relação de informações, no intuito de subsidiar providências futuras, por ventura necessárias.