Médico e ex-PF tentam acessar grampos sobre esquema de pirâmide; juiz nega

Eles alegaram cerceamento de defesa, mas não convenceram o juiz do caso

O juiz da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, João de Almeida Portela, negou o acesso ao inquérito que apura a suspeita de uma pirâmide financeira “formada” pelo ex-policial federal, Ricardo Mancinelli Ratola, ao lado do médico Diego Rodrigues Flores e da ex-esposa, Taiza Tossat. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (20).

Segundo o processo, Ricardo Mancinelli Ratola e Diego Rodrigues Flores alegaram cerceamento de defesa para ter acesso ao inquérito, que possui interceptações telefônicas e informações relativas à quebra de sigilo bancário.

“Requerem o fornecimento integral dos elementos produzidos durante a fase inquisitorial, especialmente os dados relacionados às interceptações telefônicas, informações oriundas das cautelares deferidas e quebra de sigilo bancário, sob alegação de cerceamento de defesa e violação aos princípios do contraditório e ampla defesa”, pedem os réus.

O juiz João de Almeida Portela, entretanto, esclareceu que os indícios dos crimes encontrados na fase de inquérito foram disponibilizados às partes, não havendo, portanto, cerceamento de defesa.

“A alegação de ausência de acesso às provas não se sustenta, uma vez que os elementos que serviram para embasar a acusação encontram-se devidamente acostados aos autos, os quais foram reunidos e angariados pela autoridade policial estadual lotada na Decon, pelo que não há falar em cerceamento de defesa, considerando que as provas obtidas durante a fase inquisitorial estão à disposição das partes”, lembrou o magistrado.

O trio de golpistas ficou famoso no Brasil após a veiculação de uma reportagem no Domingo Espetacular, da TV Record, do dia 21 de janeiro de 2024. Eles são representantes da “DT Investimentos”, utilizada no esquema.

Segundo a matéria, Taiza era responsável por angariar clientes e prometia lucros de 2% a 6% por dia. Ela ostentava uma vida de luxo nas redes sociais, dizendo aos clientes que se quisessem sacar o investimento, o dinheiro seria disponibilizado em dois dias úteis.

Já o ex-marido de Taiza, Ricardo Mancinelli Souto Ratola, teria afirmado a um dos clientes da empresa que o médico Diego Rodrigues Flores tinha um patrimônio de mais de R$ 10 milhões para dar mais ‘credibilidade’ ao negócio. A suspeita é de que o grupo tenha lesado ao menos 50 vítimas e tenha movimentado pouco mais de R$ 15 milhões entre 2021 e 2022. A Operação Cleópatra foi deflagrada pela Polícia Judiciária Civil (PJC) contra o trio suspeito.

*Fonte: FolhaMax