A escolha do prefeito eleito de Rondonópolis (MT), Cláudio Ferreira (PL), para compor sua equipe de governo já começou a gerar controvérsias antes mesmo de assumir o cargo. O advogado Vilmar Paranhos Júnior, ex-secretário de Finanças da Câmara Municipal e figura próxima ao atual presidente da Casa, Júnior Mendonça (PT), é o nome cotado para assumir o posto de secretário-adjunto de Governo a partir de janeiro de 2025.
A notícia da possível nomeação tem dividido opiniões e gerado debates nos bastidores políticos. Embora o cargo seja oficialmente de adjunto, ele terá status equivalente ao de secretário, com a responsabilidade crucial de ser o interlocutor entre o Executivo e a Câmara de Vereadores. Isso significa que Vilmar Júnior ocupará um papel estratégico na articulação política da gestão de Ferreira.

Histórico e conexões
Vilmar Júnior traz na bagagem quatro anos de experiência na gestão de Mendonça, onde esteve à frente das secretarias de Serviços Institucionais e de Finanças. Sua proximidade com o presidente da Câmara, que é filiado ao PT, o maior partido de oposição ao prefeito eleito, é um dos principais pontos de tensão na escolha de seu nome para o novo governo.
O nomeado será subordinado a Mikael Vitorino, que ocupará a Secretaria de Governo. Contudo, sua função de atuar como ponte entre a Prefeitura e o Legislativo o coloca em uma posição de destaque, potencialmente ampliando sua influência dentro da administração de Ferreira.
Críticas da base aliada
A decisão do prefeito eleito tem enfrentado resistência, principalmente de setores mais conservadores e alinhados à direita, que compuseram a base de apoio à candidatura de Cláudio Ferreira. Para esses grupos, a escolha de alguém ligado ao PT, partido opositor, representa um possível desalinhamento com os princípios que nortearam a campanha vitoriosa de Ferreira.
“Trazer alguém com ligações tão claras com a oposição para dentro da gestão, e ainda em um cargo estratégico, vai contra o que acreditamos e gostaríamos de ver em uma gestão de direita. Sabemos que é preciso transitar por todos os partidos e esferas, mas acreditamos ser um cargo muito importante e estratégico”, confidenciou uma fonte próxima ao grupo.
Decisão aguardada
A nomeação oficial de Vilmar Júnior deve ocorrer em janeiro de 2025, mas até lá, os debates e pressões nos bastidores prometem esquentar. Cláudio Ferreira enfrentará o desafio de equilibrar as críticas de sua base com a necessidade de construir uma gestão eficiente e capaz de dialogar com todos os setores da política local.
A decisão de Ferreira será um teste importante de como o prefeito eleito pretende conduzir sua administração nos próximos quatro anos. A pergunta que ecoa em Rondonópolis é: Ferreira está disposto a contrariar parte de seus aliados para garantir uma ponte sólida com a Câmara de Vereadores?
Nos próximos meses, os rumos dessa escolha poderão definir os primeiros passos e o tom político da nova gestão.