Secretária de Saúde de Rondonópolis-MT apresenta diagnóstico e plano emergencial para reorganização do sistema

Em coletiva de imprensa concedida nesta terça-feira (07), a secretária de Saúde de Rondonópolis, Tânia Balbinotti, apresentou um panorama detalhado das condições encontradas ao assumir a pasta e destacou as ações emergenciais que estão sendo implementadas para reorganizar o sistema de saúde do município. Em tom transparente e objetivo, a secretária não apenas revelou problemas estruturais e administrativos acumulados, mas também apontou soluções concretas para atender às demandas da população.

Diagnóstico crítico: estrutura precária e déficit financeiro

De acordo com Tânia, a transição de governo ocorreu de forma superficial e não permitiu o acesso às informações essenciais para a continuidade dos trabalhos. “Fornecedores entram em contato diariamente para informar dívidas da Secretaria. Não houve relacionamento com fornecedores e muitos perderam a confiança devido aos atrasos constantes nos pagamentos”, destacou.

Segundo ela, o cenário encontrado é desolador:

  • Estruturas físicas desgastadas e mal dimensionadas, com infiltrações, falta de torneiras, espelhos nas tomadas e ares-condicionados inoperantes em mais de 60% das unidades;
  • Ambulâncias precárias e falta de manutenção preventiva de equipamentos e prédios;
  • Sistema de tecnologia desatualizado e não interligado, dificultando a agilidade no atendimento;
  • Falta de insumos e equipamentos básicos em diversas unidades de saúde;
  • Ausência de planejamento sazonal e previsão orçamentária adequada.

“Temos um quadro calamitoso, mas a gestão está comprometida em conduzir a pasta da melhor forma para a população de Rondonópolis”, afirmou.

Uma das primeiras ações propostas pela secretária foi o choque de limpeza nos prédios de saúde. Em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e a CODER, equipes foram mobilizadas para atuar nos complexos de saúde, unidades básicas e outros prédios administrativos. “A sujeira impacta diretamente na saúde pública. A resposta rápida é essencial. Temos um número alto de casos de chikungunya e dengue e as causas climáticas, aliada a falta de limpeza de terrenos e residências, são os principais fatores. Vamos combater essa doença com medidas eficazes. Além da limpeza, faremos nebulização e uma ação efetiva nas residências com os agentes de endemias”, frisou a secretária.

A gestão também trabalha na compra emergencial de insumos e na manutenção preventiva de equipamentos hospitalares, como geradores e ambulâncias. Além disso, será iniciado um projeto para a construção de uma nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA), além da transformação de unidades que hoje atendem o terceiro turno em Policlínicas 24 horas para atender às regiões mais estratégicas e desafogar os atendimentos na unidade de Pronto Atendimento central.

“Estamos lidando com vidas, e isso exige planejamento e cuidado. Trabalhar de forma improvisada não é uma opção”, afirmou Tânia.

Outro ponto abordado foi a situação da Santa Casa, hospital de referência para casos de alta complexidade. Tânia destacou a importância da contratualização com a instituição, que há décadas presta serviços essenciais à população. “Não podemos abrir mão de nenhum hospital. Se alguém acha que há problemas de gestão, que sejam investigados e solucionados. Mas não podemos penalizar trabalhadores e a população. Nosso foco é garantir que o atendimento funcione”, ressaltou.

A falta de adesão da Secretaria de Saúde de Rondonópolis em alguns programas do Ministério da Saúde, devido ao descumprimento de critérios, também foi apontada como uma das razões para o déficit de recursos. “Atendimentos, cirurgias e outros procedimentos que poderiam ser custeados pelo SUS, pois é isso que a lei preconiza, são feitos com recursos municipais, pois a prefeitura não atende aos critérios exigidos em alguns programas do Ministério da Saúde”, explicou.

Ela também mencionou que a saúde vem sofrendo com as judicializações. “Estamos pagando caro por falta de gestão. Cirurgias que poderiam ser realizadas pelo SUS por R$ 10 mil acabam custando R$ 150 mil devido à judicialização. Isso tem que acabar”, explicou.

Tânia enfatizou que sua gestão não busca culpar administrações anteriores, mas sim apontar soluções para os problemas encontrados. “Estamos administrando recursos do povo, e é isso que tem nos norteado. Precisamos transformar a Secretaria em um exemplo de organização e transparência.”

A colaboração com outras secretarias, vereadores e instituições é parte fundamental do plano de ação. “Nosso foco é a vida das pessoas e a utilização responsável dos recursos que elas pagam. A saúde de Rondonópolis tem jeito, mas exige planejamento, compromisso e muito trabalho.”

Com um plano de ação emergencial para os primeiros 30 dias e a promessa de uma gestão transparente e focada em resultados, Tânia Balbinotti demonstra determinação para transformar a realidade da saúde em Rondonópolis.