Prefeito de Rondonópolis-MT denuncia caos na gestão do transporte público e aponta irregularidades

Em uma denúncia contundente, o prefeito de Rondonópolis-MT, Cláudio Ferreira (PL), expôs o estado crítico da Autarquia Municipal de Transporte Coletivo (A.M.T.C.), criada na gestão anterior, durante uma vistoria realizada na manhã desta quinta-feira (09). Segundo o prefeito, a autarquia enfrenta sérios problemas de ineficiência, endividamento e irregularidades operacionais, o que compromete a prestação de serviços à população.

Durante a vistoria, Cláudio Ferreira revelou que, dos mais de 50 ônibus adquiridos pela gestão passada, apenas 22 a 25 veículos estão em operação, e a frota restante está sucateada. “Isso aqui é um ônibus que foi comprado em 2021. Se evidencia que isso aqui não funciona e estava sendo escondido de você. Isso foi comprado com dinheiro financiado”, destacou.

O prefeito também mencionou a descoberta de uma dívida acumulada pela autarquia, que ultrapassa os R$ 4 milhões, inviabilizando o funcionamento pleno do transporte público. “Nos deparamos com uma dívida altíssima que praticamente tem inviabilizado a estatal de transporte público aqui”, afirmou.

Ferreira ainda comparou o atual cenário com o período em que o transporte público era operado por concessão, ressaltando o aumento de custos e a redução na frota. “Menos da metade da frota que rodava quando era uma concessão está custando, no mínimo, duas vezes mais caro do que era antes”, apontou.

Garagem clandestina e irregularidades ambientais

Outra grave denúncia feita pelo prefeito diz respeito às condições irregulares da garagem onde os veículos da autarquia estão estacionados. No local, foi identificado um tanque de combustível utilizado para abastecer os ônibus e que, segundo ele, não possui licença ambiental. “Um tanque de combustível que abastece os veículos e não tem licença. Se você que tem um negócio monta um lavador a céu aberto como esse aqui, você é multado até interditado. O próprio poder público, gestão passada, estava cometendo vários crimes e ninguém tomou providência”, declarou.

Ao avaliar o modelo adotado pela gestão anterior, Ferreira foi categórico ao afirmar que a criação da estatal para gerir o transporte público não atingiu seus objetivos. “Isso aqui é o retrato, infelizmente, da ineficiência e da irresponsabilidade da gestão passada. A iniciativa de montar uma estatal falhou”, concluiu.

O prefeito Cláudio Ferreira garantiu que sua gestão não irá “tapar o sol com a peneira” e que as providências necessárias para corrigir as irregularidades e reestruturar o transporte público municipal serão tomadas. A situação exposta coloca em evidência os desafios enfrentados pelo município e reacende o debate sobre a viabilidade do modelo de gestão pública direta no transporte coletivo.