Rondonópolis em alerta: epidemia de dengue, zika e chikungunya lota UPA e mobiliza autoridades

A cidade de Rondonópolis (MT) enfrenta uma grave epidemia de dengue, zika e chikungunya, com impacto direto nos serviços de saúde pública. Em coletiva nesta sexta-feira (24), a Secretária de Saúde, Tânia Balbinotti, detalhou as ações emergenciais que estão sendo implementadas para conter o surto e destacou o estado crítico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que opera acima de sua capacidade.

De acordo com a secretária, as medidas incluem a intensificação da limpeza em áreas públicas, campanhas de conscientização da população sobre o combate aos focos do mosquito, capacitação de equipes de saúde, reforço nos estoques de insumos médicos e aprimoramento dos procedimentos de notificação de casos.

“Precisamos agir em várias frentes. Reduzir a quantidade de mosquitos é prioridade, e isso depende diretamente da limpeza de terrenos e espaços que acumulam água parada. Mas não podemos fazer isso sozinhos, a colaboração da população é indispensável. Cada pequeno foco eliminado é uma vida que podemos salvar”, afirmou Tânia.

A superlotação da UPA tem sido um dos maiores desafios enfrentados pela rede de saúde. Tânia alertou que a unidade está no limite de sua capacidade, gerando atrasos no atendimento e exaustão da equipe médica.

“Não há mais espaço físico na UPA, e mesmo que dobrássemos o número de profissionais, não conseguiríamos atender a todos. A população precisa procurar os postos de saúde mais próximos de suas casas. Estamos reforçando os PSF’s com capacitação e melhorias, para que eles possam absorver parte dessa demanda”, explicou a secretária.

Tânia reconheceu, no entanto, que alguns PSF’s ainda enfrentam a falta de médicos, mas garantiu que esforços estão sendo feitos para resolver essa questão: “Estamos trabalhando para sanar essas deficiências e garantir que todas as unidades estejam preparadas para atender a população.”

Um episódio chamou a atenção durante a coletiva: o presidente da Câmara, vereador Paulo Schuh, revelou que a secretária usou recursos próprios para adquirir medicamentos para a UPA, totalizando R$ 16 mil. O gesto, que ultrapassa o valor de seu próprio salário, foi destacado como um esforço pessoal para minimizar os impactos da crise.

“Essa atitude da secretária reflete o comprometimento dela com a saúde da população. No entanto, isso também evidencia o quanto a situação é grave e precisa de uma resposta ampla e imediata”, destacou Schuh.

A vereadora Kalynka Meireles lembrou que a atual crise já era previsível. “Desde a gestão anterior, eu e o vereador Paulo Schuh alertamos para o risco dessa situação. Infelizmente, nossas denúncias foram ignoradas, e agora estamos diante de uma tragédia anunciada”, afirmou.

Apesar das dificuldades, a Secretária de Saúde reforça que o combate ao surto depende da união de esforços entre poder público e comunidade. “Se cada um fizer sua parte, eliminando criadouros e buscando atendimento nas unidades básicas, conseguiremos superar essa epidemia. A saúde de Rondonópolis precisa do compromisso de todos”, concluiu Tânia.

Enquanto as medidas emergenciais continuam, a cidade segue em alerta máximo, acreditando que ações coordenadas e a conscientização da população possam conter a proliferação do mosquito e minimizar os impactos da doença.