Transporte escolar em Água Boa enfrenta crise e gera revolta entre pais e alunos; vereadora cobra soluções

O transporte escolar na zona rural de Água Boa, cidade do interior de Mato Grosso, tem sido alvo de críticas por parte de pais e alunos, que denunciam condições precárias no serviço oferecido pelo município. As reclamações incluem mudanças repentinas nos horários, superlotação e falta de segurança, afetando diretamente crianças e adolescentes que dependem desse meio para frequentar a escola. Diante desse cenário, a vereadora Josi Koch (PL) tentou fiscalizar as condições do transporte, mas relatou dificuldades em exercer sua função.

Os pais relatam que as crianças saem de casa por volta das 9 horas e só retornam às 21 horas, o que desorganiza completamente a rotina dos estudantes, que têm entre 4 e 15 anos. O horário das refeições também foi prejudicado, pois os alunos precisam almoçar mais cedo e passam longos períodos sem alimentação adequada. Além disso, a superlotação dos veículos faz com que algumas crianças sejam obrigadas a viajar em pé por todo o percurso, o que tem causado queixas de dores nas pernas e até febre devido ao cansaço extremo.

Outro ponto preocupante, destacado pelos pais, é a exigência de que os estudantes caminhem até pontos distantes de suas residências para embarcar no transporte, obrigando-os a atravessar a rodovia MT-240, onde há grande circulação de carretas. Muitas dessas crianças fazem esse trajeto sozinhas, aumentando o risco de acidentes. Além disso, os pais também denunciam que o motorista responsável pelo transporte não fornece explicações sobre mudanças nos horários e, em alguns casos, até bloqueou as mensagens no grupo onde as mães tentavam dialogar sobre o problema.

Muitos relatam que as mudanças nos horários e nas rotas ocorreram sem qualquer reunião prévia com os pais e responsáveis, o que tem gerado ainda mais insatisfação. Além disso, a Secretaria de Educação não tem respondido às mensagens enviadas pelas famílias, agravando o problema. Para mães de crianças com necessidades especiais, como uma mãe que relatou as dificuldades enfrentadas pelo seu filho autista de seis anos, a nova rotina imposta pelo transporte tornou a adaptação ainda mais difícil.

A vereadora Josi Koch tentou fiscalizar pessoalmente a situação, embarcando em um dos ônibus escolares para verificar as condições do serviço. No entanto, ela afirmou que encontrou resistência por parte da Secretaria de Educação, que dificultou sua entrada no veículo. “Estou aqui na Secretaria de Educação tentando embarcar no ônibus para fazer meu trabalho de fiscalização, mais precisamente no Vale dos Gaúchos. Mas estou tendo dificuldade, não estão me permitindo exercer meu direito de vereadora”, declarou Josi em um vídeo publicado nas redes sociais.

Somente após o vídeo denunciando o direito de fiscalizar, o que é prerrogativa do legislador, circular na cidade, a vereadora conseguiu embarcar e fazer a rota escolar junto às crianças.

OUTRO LADO

Diante da repercussão, a secretária municipal de Educação, Cléria Wagner Moresco, afirmou que o sistema de transporte escolar ainda está em fase de adaptação e que alguns motoristas estão ajustando as rotas. Ela garantiu que será realizada uma reunião com os pais para discutir as mudanças e buscar soluções para os problemas relatados.

Enquanto isso, as famílias continuam enfrentando dificuldades diárias e aguardam providências para que o transporte escolar funcione de maneira adequada, garantindo a segurança e o bem-estar dos alunos da zona rural de Água Boa.