Mendonça sinaliza divergência em julgamento sobre redes ao falar em ‘autocontenção judicial’

Durante julgamento que trata da regulação das big techs, ministro advertiu ainda para possível cerceamento da liberdade de expressão

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sinalizou, nesta quarta-feira, 4, que vai divergir de outros colegas, no julgamento sobre a regulação das redes.

Durante a sessão, Mendonça falou em “autocontenção judicial”. De acordo com ele, o STF não deveria interferir nesse assunto, pois prejudica o próprio Tribunal. “O Poder Judiciário acaba contribuindo, ainda que não intencionalmente, para a agudização da desconfiança hoje verificada em parcela significativa da nossa sociedade”, disse o ministro. “É preciso ter cuidado para que essas preocupações legítimas não ofusquem os benefícios reais do maior acesso a arenas públicas.”

Mendonça citou ainda o entendimento de um pensador, sobre liberdade de expressão. “A partir do momento em que um povo é proibido de até mesmo desconfiar ou é obrigado a acreditar em algo, instaura-se um ambiente perfeito para subjugá-lo pela sua impotência”, observou.

Até o momento, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Dias Toffoli votaram pela responsabilização das plataformas, mas com graus de diferença. A Corte analisa a constitucionalidade ou não do artigo 19 do Marco Civil da Internet. Desde o ano passado, o STF julga a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet. Em linhas gerais, o dispositivo legal estabelece que as big techs só podem ser responsabilizadas por conteúdos de terceiros postados em suas plataformas se desobedecerem a uma medida judicial que determine sua remoção.

Discurso de Barroso antes de voto de André Mendonça

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O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, durante uma sessão plenária – 23/4/2025 | Foto: Ton Molina/Fotoarea/Estadão Contéudo

Antes de Mendonça começar a falar, Barroso deu início com um discurso de “esclarecimento”. O presidente do STF negou que o julgamento trate de censura. Barroso refutou ainda a tese segundo a qual o Tribunal esteja legislando.

“O Judiciário não está legislando e muito menos regulando as plataformas digitais, em caráter geral, abstrato e definitivo”, disse. “Estamos julgando pretensões. No Brasil, para quem não tem essa informação, um tribunal não tem a possibilidade de dizer que um tema é complexo, muito divisivo e, por isso, não vai julgá-lo.”

*Fonte: Revista Oeste