Saída de presidente da Coder reacende debate sobre o futuro da companhia e desafios da gestão pública

Argemiro Ferreira deixou, nesta sexta-feira (13), o comando da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder). Uma Assembleia Geral foi convocada para o próximo dia 20 de junho com a finalidade de eleger o novo presidente da empresa pública, que há décadas presta serviços na área de obras públicas e infraestrutura urbana. A Assembleia deve marcar o início de uma nova fase de reestruturação da Coder, em meio a uma série de desafios financeiros e institucionais.

Espelho do Diário Oficial que aponta o desligamento do Diretor-Presidente da Coder, Argemiro Ferreira.

Argemiro permaneceu seis meses à frente da companhia, em um período marcado por tensões administrativas e discussões internas. Seu desligamento ocorre justamente um dia após o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) emitir parecer sobre irregularidades nas contas da empresa referentes ao exercício de 2022, gestão comandada por Ferreira.

De acordo com a administração, esse motivo foi primordial para o desligamento. Já Argemiro, afirma que a sua saída teria sido motivada por divergências com o Executivo municipal, principalmente em relação ao possível fechamento da empresa.

Segundo o ex-presidente, a Prefeitura teria solicitado a elaboração de um plano de liquidação da Coder a ser apresentado em reunião com o TCE no próximo mês. A proposta teria causado desconforto e questionamentos por parte do presidente da empresa. “Não estou preocupado comigo, eu tenho meus projetos pessoais encaminhados. E as 500 famílias que dependem da Coder?”, questionou Argemiro em entrevista ao site Ethoss.

Do lado da Prefeitura, o argumento central está na sustentabilidade da companhia. De acordo com informações do Paço Municipal, a Coder acumula uma dívida de aproximadamente R$ 250 milhões.

O momento, portanto, parece ser de inflexão. A dúvida que paira agora é: é possível salvar a Coder com uma nova estrutura de gestão e governança, ou chegou o momento de encerrar as atividades e repensar a prestação de serviços públicos por outras vias?

Outro ponto que exige atenção é o número elevado de funcionários seletistas. Com um fechamento hipotético da estatal, surge a preocupação sobre o destino dos servidores e a continuidade dos serviços essenciais que hoje estão sob responsabilidade da empresa. Até o momento, não há informações oficiais sobre um plano de transição ou um estudo de impacto financeiro detalhado que considere o custo-benefício da extinção da Coder frente a outras alternativas administrativas.

A Assembleia do dia 20 de junho pode dar início a um novo capítulo da história da Coder. Seja com um novo comando disposto a enfrentar os entraves e recuperar a empresa, seja com um plano de transição que aponte para um novo modelo de prestação de serviços à população. O fato é que a discussão está aberta — e seu desfecho terá impacto direto em centenas de famílias, na dinâmica da máquina pública e, sobretudo, na eficiência da gestão dos recursos municipais.