O deputado federal Sargento Fahur (PL-PR) usou a tribuna da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (10) para criticar a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em reação à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anunciar um aumento tarifário de 50% sobre produtos brasileiros, medida justificada pelo governo norte-americano como resposta a práticas políticas e comerciais adotadas pelo Brasil.
Durante seu pronunciamento, Fahur fez referência a um comentário atribuído a Janja, que teria questionado em tom irônico: “Cadê os meus vira-latas?”, após ser informada sobre a medida protecionista de Trump. Em resposta, o parlamentar declarou: “Seu vira-lata está do seu lado, Janja. Você visitava ele no canil da Polícia Federal, lá no Paraná. Esse é o maior vira-lata do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva”.
Fahur também responsabilizou o governo por prejudicar produtores brasileiros no cenário internacional. “Os produtores brasileiros vão pagar o preço pela irresponsabilidade do seu vira-lata”, disse o deputado, que concluiu sua fala com críticas diretas ao ministro Alexandre de Moraes, ao presidente Lula e à primeira-dama: “Janja, Lula, Xandão, mudem de rumo ou vocês vão destruir o Brasil”.
Outras críticas à primeira-dama
Essa não é a primeira vez que Janja se torna alvo de declarações públicas de parlamentares e veículos de imprensa. Ao longo do mandato, a primeira-dama vem se destacando por participar ativamente de agendas institucionais, ações de governo e até decisões políticas, o que tem gerado desconforto em setores da oposição e provocado debates sobre os limites do papel da esposa do presidente.
Em novembro de 2024, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva protagonizou dois episódios controversos durante o G20: primeiro, ao xingar Elon Musk em inglês e chamar atenção da plateia; depois, em maio de 2025, ao interpelar o presidente da China, Xi Jinping, sobre a regulamentação do TikTok — atos que alguns analistas consideram quebra de protocolo.
Os dois casos são apenas alguns dos episódios em que a primeira-dama esteve envolvida que chamaram atenção da opinião pública e ensejaram críticas de analistas políticos e de membros da oposição.
Contexto internacional
A reação de Fahur ocorre em meio à tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. A partir de 1º de agosto, entra em vigor a nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, com impacto direto sobre setores estratégicos como petróleo, ferro, aço e aeronaves. A medida, determinada pelo governo norte-americano, poderá afetar bilhões de dólares em exportações e comprometer a competitividade de empresas nacionais no mercado externo.
Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 40,4 bilhões para os EUA, o que representa 12% de tudo que o país vendeu ao exterior. A decisão do governo norte-americano será aplicada de forma automática, sem distinção entre setores ou tipos de mercadorias. Ou seja, todos os produtos de origem brasileira que entrarem nos EUA estarão sujeitos ao novo acréscimo de 50% sobre o valor de entrada, além das tarifas já existentes.
A taxação é justificada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que permite ao Executivo norte-americano adotar sanções contra países considerados “injustos” nas práticas comerciais. Simultaneamente, foi aberta uma investigação formal contra o Brasil por supostas distorções no comércio bilateral.