Otan sem EUA quase perde para China e Rússia

A dupla explodiu os gastos com defesa nas última duas décadas

Maior aliança militar do planeta, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) reúne países com valores mais ou menos parecidos — e desenvolvimento não tão distante. Com alguns membros ricos, outros “remediados”, a ideia é ter uma liga em que “a união faz a força”. A prática, porém, muda a teoria. Sem os investimentos dos Estados Unidos, mais da metade do poder sumiria do bloco. Rússia e China estariam a um passo de vencer o restante do bloco, ao menos em orçamento.

A verba da Otan em si não é tão grande: cerca de US$ 6 bilhões. Equivale a um pouco menos de duas horas de produção da economia dos EUA. Esse dinheiro serve para manter o grupo unido. A artilharia pesada mesmo está no orçamento militar individual de cada nação. Somando, foram US$ 1,4 trilhão em 2023. Segundo o Banco Mundial, quase US$ 1 trilhão veio dos cofres da Casa Branca.

Capitão de elite

A aliança tem 32 países. Caso um do grupo seja atacado, todos os outros têm de entrar na briga. Entretanto, apenas um investe pesado para se manter forte. É como se, numa equipe de judocas, somente o capitão treinasse pesado, enquanto os outros 31 fizessem corpo mole, se enchessem de doce e, no final do campeonato, todos levassem a mesma medalha. A disputa é sempre em grupo — e os louros dela, também.

Além disso, no meio desse campeonato, há uma equipe com dois atletas se esforçando para se tornarem imbatíveis: Rússia e China. Embora a dupla, mesmo de mãos dadas, seja menos forte que os EUA, ela fica cada dia mais poderosa. Nesse contexto, Donald Trump, atual presidente norte-americano, resolveu botar a aliança para malhar. E quem não quiser suar a camisa ao menos teria de abrir a carteira para ajudar a bancar os custos de ser grande.

Time Otan

Entre os membros do tratado, o segundo maior gasto em defesa nacional vem do Reino Unido: US$ 75 bilhões por ano. Na comparação com os EUA, é uma casa popular térrea diante de um prédio com garagem, elevador e piscina. No top 5 também estão Alemanha (US$ 66 bilhões), França (US$ 61 bilhões) e Itália (US$ 35 bilhões).

Em conjunto, o quarteto gastou US$ 240 bilhões em 2023. Ao mesmo tempo, a China investiu US$ 296 bilhões e a Rússia, US$ 109 bilhões. Ou seja: o orçamento militar da dupla está em US$ 400 bilhões — número próximo à soma de 31 membros menores da Otan (US$ 433 bilhões). Há alguns anos, a vantagem era praticamente de cinco para um.

Equipe bombada

Em 2001, o orçamento militar da China foi de US$ 12 bilhões, e o da Rússia, US$ 26 bilhões. A soma: por volta de US$ 38 bilhões. Ao mesmo tempo, o valor dos EUA foi de US$ 332 bilhões. A cifra do restante da Otan ficou em US$ 174 bilhões, e da aliança toda, US$ 506 bilhões.

No começo do milênio, o Reino Unido sozinho colocava mais dinheiro em suas Forças Armadas que russos e chineses juntos. A Rússia praticamente empatava com os alemães (quarto maior orçamento militar da aliança naquele ano), e o dispêndio da China estava um pouco acima do da Espanha. Então quintos maiores do bloco, os espanhóis não têm grande relevância armamentista desde que Napoleão Bonaparte varreu a Europa no início do século 19.

*Fonte: Revista Oeste