Helio Lopes acampa em frente ao STF e faz “jejum de palavras”

Deputado protesta contra atuação do STF contra o ex-presidente Jair Bolsonaro

Indignado com a atuação do ministro Alexandre de Moraes e de alguns de seus pares do Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado federal Helio Lopes (PL-RJ) resolveu se manifestar de maneira pacífica e ordeira, acampando na Praça dos Três Poderes, “sozinho. Em silêncio. Com esparadrapo na boca.”

– Trata-se de um jejum de palavras. Um ato individual, pacífico, simbólico. Comigo tenho apenas o essencial: Uma barraca para repousar, a Bíblia para sustentar minha fé, e a Constituição para firmar minha consciência. Não incentivo aglomerações, nem desobediência. Estou apenas exercendo, com dignidade, os direitos que a democracia ainda nos permite – disse o parlamentar em suas redes sociais nesta sexta-feira (25).

Em publicação na rede social X, Helio anunciou que está “em uma manifestação pacífica, em silêncio e jejum de palavras”, e que o ato não tem a finalidade de “confrontar, provocar ou encorajar ninguém”.

– Estou aqui por convicção, como cidadão e deputado federal. Minha boca está calada, mas minha consciência está em paz – disse o congressista.

Ainda nesta sexta, ele publicou em seu perfil que “há silêncios que pesam mais do que discursos e ecoam onde palavras não alcançam”. Lopes também citou a passagem bíblica de Isaías 59:14-15.

– O juízo se afastou, a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas praças, e a retidão não pode entrar. A verdade sumiu, e quem se desvia do mal é tratado como presa.

CARTA ABERTA AO POVO BRASILEIRO
Nesta sexta, Helio publicou uma carta aberta aos brasileiros em suas redes sociais, onde denuncia que o Brasil vive uma ditadura e que “legislar virou encenação”, já que as atribuições do Legislativo foram esvaziadas por um regime autoritário que se sobrepõe ao Congresso Nacional.

Leia na íntegra:

CARTA ABERTA DE HÉLIO LOPES, CONHECIDO COMO HÉLIO BOLSONARO, AO POVO BRASILEIRO
Brasília, 25 de julho de 2025

O Brasil já não é mais uma democracia.
Hoje, vivemos sob uma ditadura disfarçada — onde decisões do Parlamento são rasgadas por ministros do Supremo, onde leis aprovadas pela maioria dos representantes do povo são anuladas sem constrangimento, e onde o Congresso, acuado, muitas vezes se rende ao silêncio.
Não podemos deixar que o medo nos torne cúmplices da injustiça e nos afaste de um país livre.

Sou deputado federal. Fui eleito pelo povo.
Mas a verdade é dura: não conseguimos mais fazer nada.
Legislar virou encenação. Fiscalizar se tornou ofensa.
A sensação é de que já não somos ouvidos — apenas tolerados, enquanto o verdadeiro poder se concentra onde não há voto, não há povo e não há limites.

Foi por isso que tomei a decisão de acampar na Praça dos Três Poderes.
Sozinho. Em silêncio. Com esparadrapo na boca.
Não estou aqui para provocar. Estou aqui para demonstrar a minha indignação com essas covardias.
Não estou incentivando ninguém a fazer o mesmo.
Mas estou aqui porque sei que milhões já foram silenciados — e nem perceberam.

Estou aqui por você. Estou aqui pelos filhos que ainda não nasceram.
Para que não herdem um país amordaçado, nem aceitem a censura como herança.
“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”
— Martin Luther King

Não estou armado.
Não represento ameaça alguma.
Mas carrego comigo o que basta:
•Deus na minha vida;
•Uma barraca;
•Minhas roupas;
•Itens de higiene pessoal;
•A Bíblia Sagrada;
•E a Constituição Federal de 1988.

É tudo o que tenho — e é tudo o que preciso.
Minha boca está calada. Mas minha alma está gritando por liberdade de expressão.
Minha barraca virou trincheira.

“Não fui eu que ordenei a você? Seja forte e corajoso! Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar.”
— Josué 1:9

Este ato está amparado pela Constituição:
•Pelo Art. 5º, incisos IV, IX e XVI, que garantem minha liberdade de pensamento, fé, consciência e manifestação pacífica;
•Pelo Art. 53, que protege meus gestos, palavras e símbolos como parlamentar;
•E pelo Art. 1º, parágrafo único, que lembra que todo poder emana do povo.

Estou aqui, também, por causa da perseguição brutal contra Jair Bolsonaro — um homem bom, meu irmão de coração verde e amarelo.
Um irmão que a vida me deu, que me levou a cada canto deste país e do mundo quando era presidente.
Hoje, ele está proibido de falar, de ver os filhos, de dar entrevistas, de existir politicamente.
Um homem com tornozeleira no pé. Sem crime, sem sentença. Apenas por ter ousado dar voz aos esquecidos. É uma SUPREMA HUMILHAÇÃO.

Se podem calar um ex-presidente, calar um parlamentar — amanhã calarão qualquer cidadão.
Hoje censuram um político — amanhã amordaçam a imprensa.
Hoje punem opiniões — amanhã condenam silêncios.
Hoje somos nós. Amanhã pode ser você.
Não precisa gostar do Bolsonaro para ver como esse homem é perseguido.

Por isso, entrei em jejum de palavras.
Porque entendi que há momentos em que o silêncio de um justo fala mais alto do que qualquer discurso inflamado.
O silêncio, quando vem com convicção, é o primeiro passo de toda revolução moral.

“A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar.”
— Martin Luther King

E porque Deus pode usar até um silêncio para sacudir uma nação.

Não faço isso por mim.
Faço pelos meus filhos.
Faço pelos seus filhos.
Faço pelos filhos que ainda nem nasceram.
Porque liberdade precisa ser herdada.

Peço a Deus que o Brasil ouça esse clamor.
Não porque gritei.
Mas porque escolhi calar no tempo certo — e confiar que Deus nunca perdeu o controle.

Calado como um cordeiro. Em pé como um guerreiro.
E, quando a história for contada, que digam:
“Ele não disse uma palavra. Deus falou por ele.”
Eu creio que o Brasil vai mudar através das orações do seu povo.

Hélio Lopes
Deputado Federal (PL-RJ)

*Fonte: PlenoNews