Herdeira de cartório sofre busca; marido foi preso
Alvo da Operação Sepulcro Caiado, o empresário João Gustavo Ricci Volpato foi indicado pelo deputado federal Emanuelzinho (MDB) para o cargo de Gerente Regional da Agência Nacional de Mineração (ANM) em Mato Grosso. A nomeação, assinada pelo presidente Lula (PT), ocorreu em 25 de abril deste ano sob a ‘benção’ do ministro Carlos Fávaro (PSD).
Apontado como principal operador do esquema, ele possui parentesco com um desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Volpato assumiu a função no lugar de Levi Saliés Filho, que ocupava o cargo desde 2021. Ex-secretário de Habitação e Regularização Fundiária de Cuiabá, na gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), pai de Emanuelzinho, o empresário não possui formação ou experiência reconhecida no setor mineral.
A operação deflagrada nesta quarta-feira (30), advogados, empresários e servidores do Judiciário de Mato Grossão são apontados como integrantes de organização criminosa que desviou mais de R$ 21 milhões com depósitos judiciais falsos. O esquema envolvia ações judiciais forjadas, documentos ideologicamente falsos e pagamentos inexistentes.
Além de João Gustavo, seus familiares Luiza Rios Ricci Volpato e Augusto Frederico Ricci Volpato, foram presos pela Polícia Civil. Eles também foram alvos de sequestro e bloqueios de bens por serem sócios de empresas usadas para lavar o dinheiro do esquema.
Julia Maria Assis Asckar Volpato, esposa Augusto, também recebeu a batida da Polícia Civil em sua casa. Filha da dona do cartório do 6º ofício em Cuiabá, pesa contra ela “robustos” indícios de que sua conta bancária foi utilizada para ocultação e dissimulação de valores de origem ilícita, diante do recebimento direto, no montante de R$ 132.725,00, entre 2021 e 2023, em transferências recorrentes oriundas do marido.
O ESQUEMA
As investigações da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá identificaram um sofisticado esquema de fraudes ligadas a processos judiciais e com a participação de empresários, advogados e servidores públicos do Poder Judiciário.
Os alvos de mandados de prisão preventiva responderão pelos crimes de integrar organização criminosa, estelionato, falsificação de documento particular, falsidade ideológica, uso de documento falso, peculato, patrocínio infiel e lavagem de capitais. O grupo criminoso ajuizava ações de cobrança e, sem o conhecimento das partes rés, simulava a quitação da dívida via depósito judicial, juntando aos autos comprovantes de pagamentos falsificados.
Com isso, um servidor do Poder Judiciário, alvo da operação, fazia a migração do respectivo valor da conta única do TJMT para a conta vinculada ao processo, para que houvesse fundos para o resgate do alvará. Os levantamentos iniciais identificaram 17 processos protocolados pela quadrilha entre os anos de 2018 e 2022.
PRISÃO
WAGNER VASCONCELOS DE MORAES
MELISSA FRANCA PRAEIRO VASCONCELOS DE MORAES
JOÃO GUSTAVO RICCI VOLPATO
LUIZA RIOS RICCI VOLPATO
AUGUSTO FREDERICO RICCI VOLPATO
RODRIGO MOREIRA MARINHO
THEMIS LESSA DA SILVA
JOÃO MIGUEL DA COSTA NETO
RÉGIS PODEROSO DE SOUZA
MAURO FERREIRA FILHO
DENISE ALONSO
BUSCA
WAGNER VASCONCELOS DE MORAES
MELISSA FRANÇA PRAEIRO VASCONCELOS DE MORAES
ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA FRANÇA E MORAES
JOÃO GUSTAVO RICCI VOLPATO
FLÁVIA DE OLIVEIRA SANTOS VOLPATO
LUIZA RIOS RICCI VOLPATO
AUGUSTO FREDERICO RICCI VOLPATO
JULIA MARIA ASSIS ASCKAR VOLPATO:
RV EMPRESA DE COBRANÇA LTDA
LABOR FOMENTO MERCANTIL LTDA
RODRIGO MOREIRA MARINHO
THEMIS LESSA DA SILVA
JOÃO MIGUEL DA COSTA NETO
GUILHERME PORTO CORRAL
MAURO FERREIRA FILHO
KEYYLY GONÇALVES MARTINEZ
EVA DA GUIA MAGALHÃES
CLÁUDIA REGINA DIAS DE AMORIM DEL BARCO CORREA
DENISE ALONSO
*Fonte: FolhaMax