Apesar de cumprir medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acompanhou neste domingo (3) as manifestações populares realizadas em ao menos 62 cidades brasileiras. Com presença virtual, Bolsonaro interagiu por videochamadas com apoiadores e aliados, demonstrando alinhamento com as pautas defendidas nos atos.
As manifestações foram marcadas por bandeiras como a anistia aos presos do 8 de janeiro, liberdade de expressão, impeachment do ministro Alexandre de Moraes e críticas à alta carga tributária — especialmente após o anúncio dos Estados Unidos de que aumentarão tarifas sobre produtos brasileiros em até 50%.
Em Brasília, São Paulo, Salvador, Belém e outras capitais, os atos reuniram apoiadores com camisetas verde e amarelo, faixas, cartazes e discursos em defesa de pautas conservadoras.
Desde 18 de julho, Bolsonaro cumpre medidas cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes — incluindo recolhimento domiciliar nos fins de semana, uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de sair de casa ou usar redes sociais. As normas também vedam seu contato com outros investigados e a aproximação de embaixadas ou consulados.
As medidas fazem parte de uma decisão cautelar no âmbito de investigações em curso. Ainda assim, de forma legal e sem descumprir as condições, o ex-presidente participou de conversas privadas com parlamentares e aliados que estavam presencialmente nos atos.
Mobilização estratégica
As manifestações, organizadas com o slogan “Reaja, Brasil”, contou com a participação de parlamentares, como o da deputada federal Bia Kicis (PL‑DF) e de figuras públicas, como o da sua esposa Michelle Bolsonaro, que participou dos atos em Belém. Em uma das imagens divulgadas, o ex-presidente aparece vestindo camiseta com as cores da bandeira, sorrindo, em tela dividida com a multidão reunida em apoio às pautas do movimento.
Em uma das transmissões, Bia Kicis afirmou:
“Presidente, estamos juntos. Receba o carinho e a força desse povo que está nas ruas.”
Especialistas em Direito Constitucional afirmam que as medidas automáticas do STF não impedem que Bolsonaro conceda entrevistas, faça pronunciamentos públicos ou apoie movimentos políticos — desde que respeitando os limites da ordem judicial vigente.
Os defensores da mobilização destacam que, mesmo sem presença física, o líder bolsonarista conseguiu marcar sua posição e manter o ritmo político por meio da base que o representa em diversas capitais.