Oposição ocupa mesas do Senado e da Câmara

Parlamentares da direita reagem à ‘inércia’ diante de ações do STF

Nesta terça-feira, 5, a oposição começou um movimento de obstrução dos trabalhos no Parlamento, em resposta à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ato da direita inclui a ocupação das mesas diretoras da Câmara e do Senado.

Os congressistas intensificaram a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Desde a decisão contra Bolsonaro, oposicionistas tentam, sem sucesso, estabelecer contatos.

A cobrança inclui uma reação institucional às medidas cautelares impostas ao senador Marcos do Val (Podemos-ES), igualmente assinadas por Moraes. A oposição exige que a Casa avance com as solicitações de impeachment contra o ministro, relator de ambos os casos no STF.

No entanto, Alcolumbre evita qualquer sinal público de que colocará os pedidos em análise. Segundo interlocutores, ele afirma que não pretende ceder à pressão.

Além disso, o presidente do Senado passou a ser alvo de críticas nos bastidores depois de o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) citar seu nome como possível alvo de sanções do governo Donald Trump, nos Estados Unidos.

Em coletiva da oposição, Flávio Bolsonaro defende impeachment de Moraes

Em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira, 5, o senador Flávio Bolsonaro argumentou que Moraes transformou um problema pessoal em crise institucional ao impor medidas que, segundo ele, extrapolam os limites legais.

Durante a entrevista, o senador defendeu a anistia aos condenados pelos atos do 8 de janeiro e afirmou que o tema precisa entrar em votação no Congresso. Além disso, acusou o STF de mudar sua jurisprudência para impedir que Bolsonaro responda na primeira instância, como ocorreu com outros ex-presidentes.

Para Flávio, a destituição de Moraes é o primeiro passo para restaurar o equilíbrio entre os Poderes. “Queremos propor para que o Brasil volte a olhar para a frente e quebre os seus retrovisores.”

*Fonte: Revista Oeste