Em live, Medeiros denuncia: ‘golpe’ montado com CIA, Vaza-Toga e censura digital para conter Bolsonaro

O deputado federal José Medeiros (PL-MT), em transmissão ao vivo, apresentou um panorama robusto de denúncias envolvendo interferência internacional, manipulação midiática, poder judicial e censura digital. Ele chamou atenção para três grandes eixos de atuação: o caso Mike Benz, o escândalo “Vaza-Toga” e as ações do ministro Alexandre de Moraes.

Mike Benz e a interferência da CIA/USAID

Medeiros citou o ex-funcionário do Departamento de Estado dos Estados durante o primeiro governo de Donald Trump, Mike Benz, acusou a CIA (Agência Central de Inteligência) de utilizar uma organização não-governamental para interferir nas eleições do Brasil em 2022. A declaração aconteceu nesta quarta-feira (6/8), durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Credn) da Câmara dos Deputados.

Benz afirmou que a trama envolveu o Fundo Nacional para a Democracia (NED), supostamente controlado pelo Partido Democrata. A organização teria sido usada pela CIA na interferência no pleito brasileiro, vencido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o então presidente Jair Bolsonao (PL)< que tentava a reeleição. Tudo teria acontecido durante a administração de Joe Biden.

Na audiência, o ex-funcionário da diplomacia norte-americana também apontou que o governo dos EUA aumentou os recursos destinados ao Brasil entre 2019 e 2023, via Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Os objetivos, alegou Benz, seriam atacar Bolsonaro e censurar políticos de direita.

Vaza-Toga: preservação da narrativa de “golpe”

O caso Vaza-Toga envolve vazamentos de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e seu gabinete, sugerindo articulações para manter detidos participantes dos atos de 8 de janeiro, criando uma narrativa conveniente.

Segundo Medeiros, os diálogos revelam “as pessoas combinando, combinando tudo!… ‘Se vira! Arruma a prova! Olha os tweets…'”, demonstrando, em sua avaliação, que a “tese do golpe” foi moldada artificialmente.

“Eles foram moldando, foram enfeitando, até que chegaram na tese que eles queriam…” — declarando que tais comunicações tiveram papel central em sustentar a ligação de Bolsonaro aos atos e justificar prisões.

Embora a imprensa tradicional tenha minimizado seu impacto, segundo Medeiros, o caso é muito maior do que a Lava Jato.

Entenda

Mensagens vazadas de auxiliares do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelam que ele reteve presos do 8 de Janeiro mesmo depois de parecer favorável da Procuradoria-Geral da República pela soltura. Segundo relatório divulgado nesta segunda-feira, 4, pelo site Civilization Works, os detidos permaneceram encarcerados enquanto uma força-tarefa montada no gabinete do ministro analisava suas redes sociais.

VEJA RELATÓRIO

As informações foram reveladas pelos jornalistas David Ágape e Eli Vieira. Elas fazem parte do mesmo acervo investigado por Glenn Greenwald e Fábio Serapião no escândalo conhecido como “Vaza Toga”. Os novos arquivos mostram que Moraes teria atuado como investigador, promotor e juiz, centralizando decisões e supervisionando diretamente a triagem de manifestantes.

As mensagens sugerem a existência de múltiplos grupos paralelos usados por assessores para coordenar ações fora dos trâmites legais. Segundo os jornalistas, fontes ligadas ao Tribunal Superior Eleitoral afirmam que servidores usaram redes sociais para identificar manifestantes e produzir relatórios informais. O STF, por sua vez, acessou o banco de dados biométrico do TSE, o GestBio, para identificar os participantes dos atos.

Moraes descumpriu prazos e tomou decisões políticas

Segundo os documentos, a equipe de Moraes selecionou quem seria processado ou mantido preso com base em publicações, sem distinção entre vândalos e manifestantes pacíficos. Muitos desses receberam a acusação de “tentativa de golpe de Estado” e tiveram penas severas.

O advogado Ezequiel Silveira, da Associação de Famílias e Vítimas do 8 de Janeiro (Asfav), afirmou que Moraes ignorou muitos dos prazos legais foram, resultando em atrasos de até 22 dias na análise de pedidos de liberdade. A legislação exige audiência de custódia em até 24 horas depois da prisão.

A reportagem afirma que, à época, nem os advogados, nem os defensores públicos sabiam a razão dos atrasos.

Um dos trechos mais explícitos foi uma mensagem enviada em 13 de fevereiro de 2023, no WhatsApp interno da equipe do gabinete de Moraes. “A PGR pediu LP [liberdade provisória] para eles, mas o ministro não quer soltar sem antes a gente ver nas redes se tem alguma coisa”, afirmou a chefe de gabinete.

Conversas de WahstApp Moraes
Conversa no grupo de WhatsApp ‘Audiências de Custódia’ | Foto: Reprodução/ Civilization Works

Já o juiz Airton Vieira, assessor de Moraes que atuou nas audiências de custódia, escreveu em 1º de março: “Que nas audiências de custódia possamos dar a cada um o que lhe é de direito: a prisão!”.

Conversas de WahstApp Moraes
Conversa no grupo de WhatsApp ‘Audiências de Custódia’ | Foto: Divulgação/ Civilization Works

Desdobramentos judiciais e censura digital via Alexandre de Moraes

Medeiros destacou ainda a postura do ministro Alexandre de Moraes como um vetor não apenas de coerção judicial, mas também de ataque às liberdades digitais, ao citar regulações das redes sociais “ao arrepio do Congresso Nacional” e o embate com big techs como Twitter e Rumble, medidas que, segundo ele, teriam gerado atritos com os Estados Unidos, provocando a aplicação da “taxa de 50%” e o uso da lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.

Além disso, Medeiros expressou preocupação quanto à aplicação desse instrumento contra ministros do STF e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ressaltando que “a mesa do Senado” teria o poder de pautar um eventual impeachment, ainda que o presidente se recuse a fazê-lo.

“Esses senadores, boa parte deles, vão para a eleição do próximo ano. Precisa que o senador deixe claro como vai ser a atuação dele. Se desde já ele não tem coragem de assinar um mísero pedido de impeachment de um ministro que já não devia estar nem na corte, como é que esse cara vai poder vir pedir seu voto para o senado? O Brasil acordou! O que nós precisamos é, acima de tudo, vigilância e mostrar para os nossos representantes que nós estamos atentos. Não tem coisa que o político tenha mais medo do que a desaprovação popular.” — chamando a atenção para a necessidade de pressão popular e engajamento nas redes.

Para o deputado José Medeiros, o que se destaca é a articulação entre instâncias políticas, judiciais e midiáticas, que, na visão do parlamentar, teria criado uma narrativa sólida contra Bolsonaro e seus apoiadores.

Ele conclamou à mobilização cívica — nas redes sociais e nos contatos diretos com representantes — sustentando que “a melhor arma contra a omissão é a cobrança do eleitor”.

“Muitas pessoas querem saber, cito por exemplo, pessoas do meu estado, muita gente me ligando, perguntando: o que devemos fazer? Gente, mobilização total nas redes sociais. Mobilização total. E aí eu penso que nós não precisamos inventar mentira. Nós não precisamos pegar coisas que a gente não tem certeza que seja verdade. Basta divulgar as verdades do PT. As verdades sobre Lula. As verdades que estão aí escancaradas”, concluiu Medeiros.