Um influencer do CV e um dono de time também foram alvos da ação
João Bosco Amorim foi baleado em confronto com policiais civis da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) na manhã desta quinta-feira (21), em Mato Grosso. O criminoso teria reagido a um mandado que estava sendo cumprido no bojo da Operação Ludus Sordidus.
Informações preliminares apontam que o alvo seria irmão do traficante Sebastião Lauze Queiroz, o Dandão, que também foi preso na operação. Informações dão conta de que ele foi socorrido para o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) em estado gravíssimo.
Na operação, policiais civis cumprem 38 ordens judiciais com foco na desarticulação da atuação da facção criminosa Comando Vermelho (CV), envolvida em crimes diversificados, dentre eles, jogos de azar (as conhecidas Bets), estelionatos, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Dentre os mandados estão 8 de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva, 8 sequestros de imóveis, 12 sequestros e bloqueios de contas e valores no valor de mais de R$ 13,3 milhões. As ordens judiciais foram cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande e na cidade de Nova Odessa (SP).
Entre os alvos estão o influenciador digital Dainey Aparecido da Costa, conhecido como Deniz Bet, João Bosco Amorim, Renan Curvo da Costa, e Ozia Rodrigues. Este último foi alvo da operação “A César o que é de César”, deflagrada em fevereiro deste ano. Apelidado de Shelby, o faccionado atuava na cobrança de uma ‘taxa de funcionamento’ de 5% sobre o faturamento mensal dos comerciantes de Várzea Grande sob ameaças de incêndios e violência.
Investigações
As investigações iniciaram em dezembro de 2023, após a interrupção de uma reunião comunitária no bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá. Na ocasião, integrantes de uma facção criminosa encerraram o encontro sob ameaças, em uma clara tentativa de demonstração de poder do grupo criminoso.
A motivação dessa dissolução seria “política”, pois a irmã de um dos investigados era pré-candidata a vereadora e a reunião teria sido interpretada como um evento político, devido a presença de um secretário de Estado.
A partir da ocorrência, foi instaurado inquérito policial na GCCO/Draco para apuração dos fatos e com avanço dos trabalhos investigativos foi possível identificar um grupo da facção criminosa estruturada para a prática de crimes na região do bairro Osmar Cabral, Jardim Liberdade e adjacentes.
Atuação criminosa
Entre os alvos identificados está um dos líderes do grupo criminoso, que sob a fachada de ações sociais e atuação como presidente de time de futebol amador, nas verdade, monopolizava as práticas criminosas em alguns bairros (denominada quebrada), controlando e lucrando com atividade criminosas de tráfico de drogas, estelionatos e jogos ilegais.
Ele recebia mensalmente 10% dos lucros da plataforma de apostas ilegais, além de valores oriundos do tráfico e de golpes aplicados em plataformas de compra e venda pela Internet. Também foi identificado que um de seus liderados, mesmo faccionado que dissolveu a reunião de bairro, foi quem promoveu, mais tarde, as extorsões de comerciantes em Várzea Grande e Rondonópolis.
Outro dos faccionados pertencente ao grupo é um conhecido influencer de Várzea Grande que ostentava grandes quantias em dinheiro, viagens e cruzeiros em redes sociais. Ele fazia parte do grupo que explorava “bets” financiando a facção e foi preso recentemente por tráfico de drogas.
Os integrantes da facção criminosa ostentavam veículos de luxo e imóveis incompatíveis com renda lícita, como casas, prédios comerciais e galerias de lojas, sendo estes alvos de sequestro na operação, visando a recuperação de ativos e desarticulação do grupo criminoso. O grupo também contavam com o uso de pessoas interpostas (laranjas) para aquisição de veículos, bem como recebimento de valores de origem ilícitas.
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*Fonte: FolhaMax