O estrangulamento financeiro da principal rede abortista dos EUA

O governo Trump cortou repasses milionários à Planned Parenthood em 2025

Desde que o republicano Donald Trump assumiu a Presidência dos Estados Unidos, a principal rede de aborto do país, a Planned Parenthood, viu aumentar o declínio de sua atividade e, agora, enfrenta uma crise financeira sem precedentes. Apenas neste ano, 40 clínicas de aborto em diferentes Estados dos EUA fecharam as portas.

Artigo de Melaine Israel, pesquisadora da Heritage Foundation, publicado em 18 de agosto no Daily Signal, mostra que não há perspectivas a curto prazo de melhora das finanças da rede de clínicas de aborto e planejamento familiar que opera vários países do mundo por meio de uma federação internacional. Apenas nos EUA são mais de 600 clínicas.

Segundo Melaine, a crise se deve a mudanças recentes em políticas públicas, decisões judiciais e transformações no setor de saúde afetam diretamente o funcionamento e o modelo de negócios da organização, que recebeu mais de US$ 800 milhões (mais de R$ 4,3 bilhões) em recursos federais no ano anterior.

No começo deste ano, Trump determinou a retirada de verbas federais de todas as instituições que adotam as políticas de diversidade, equidade e inclusão, conhecidas pela sigla DEI, como forma de frear a agenda woke no país.

Além disso, em julho, o Congresso dos EUA aprovou o “One Big, Beautiful Bill”, proibindo a Planned Parenthood de receber repasses do Medicaid, o sistema público de saúde norte-americano, por 12 meses. Uma decisão judicial cassou a ordem, mas um recurso está sob análise. Decisão da Suprema Corte, em junho, também autorizou os Estados a cortarem verbas da entidade.

O declínio financeiro da Planned Parenthood

Desde a reeleição de Trump, tornou-se obrigatório separar totalmente, em termos financeiros e físicos, as atividades de aborto dos serviços de planejamento familiar para manter subsídios.

Antes disso, porém, o número de abortos já vinha diminuindo. Em 2022, a Suprema Corte reviu uma decisão de 1973, que permitia o aborto em todo o país, e delegou aos Estados a competência de decidir sobre a legalidade da prática. De lá para cá, ao menos 14 Estados passaram a impor restrições ao aborto.

Perfil dos clientes

Em 2006, a Planned Parenthood atendia 3 milhões de clientes em 860 clínicas; em 2015, eram 2,4 milhões em 650 unidades; atualmente, são 2,08 milhões em pouco menos de 600 clínicas. O número de clientes de contracepção também caiu, passando de 3,7 milhões em 2005 para 2,2 milhões em 2024. O uso de métodos de longa duração, como DIUs, aumentou de 1,1% para 23% no mesmo período, reduzindo a frequência de visitas às clínicas.

A popularização das consultas por telemedicina e a oferta de anticoncepcionais sem receita diminuíram a dependência dos serviços presenciais da Planned Parenthood. O crescimento do uso de pílulas abortivas, que já respondem por mais de 60% dos procedimentos, e a concorrência com plataformas on-line também afetam o fluxo de pacientes. Clínicas de atendimento rápido são alternativas para muitas mulheres, inclusive em Estados favoráveis ao aborto, reduzindo ainda mais o movimento nas unidades tradicionais.

Planned Parenthood passou a atender público trans

Nos últimos dez anos, a Planned Parenthood diversificou seus serviços e se tornou uma das principais fornecedoras de hormônios para transição de gênero, inclusive para adolescentes, revela Melaine Israel.

Bandeira transgênero
Planned Parenthood agora distribui hormônios para transgêneros, inclusive menores de idade | Foto: Divulgação/Lavrapalavra

“Uma década atrás, o gigante do aborto começou a diversificar seu portfólio, apostando na questão da identidade de gênero. Hoje, é um dos maiores provedores de hormônios para transição de sexo dos Estados Unidos — inclusive para menores de idade”, escreveu.

No entanto, a dependência de recursos do Medicaid persiste, e dificulta adaptações rápidas diante das mudanças do cenário. Fechar uma clínica, mesmo temporariamente, pode ser irreversível devido a custos fixos e à migração de pacientes e funcionários para outros prestadores de saúde.

A pesquisadora conclui o artigo com a afirmação de que os problemas da rede abortista “não podem ser atribuídos a um único fator ou escolha política”, mas são uma “crise existencial em todas as regiões dos Estados Unidos, tanto em estados vermelhos quanto azuis”, em referência a Estados democratas e conservadores, mais e menos favoráveis ao aborto. “Esperemos que a tendência continue. Mulheres, meninas e crianças não nascidas ganham quando podem obter atendimento de saúde real, com escolhas reais, em outro lugar”, finaliza.

*Fonte: Revista Oeste