Carlos Bolsonaro classifica prisão domiciliar do pai como “ilegal e desumana”

Nos últimos dias, uma série de acontecimentos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua família ganhou destaque nas redes e mídia conservadora. O relato emocionado do vereador Carlos Bolsonaro, combinado às recentes medidas e invasão à residência de sua mãe, formam um retrato complexo do atual momento político e judicial em curso.

Em publicação recente nas redes sociais, o vereador Carlos Bolsonaro compartilhou uma visita à prisão domiciliar do pai, a qual classificou como “ilegal e desumana”. Apesar de ter ocorrido apenas uma semana após a última visita, ele revelou que o ex-presidente continua fragilizado: “Está magro, não tem vontade de se alimentar, vive crises de soluço e vômitos.” Carlos disse que passou momentos silenciosos ao lado do pai, além de conversas, e agradeceu as orações como fonte de força.

Família é alvo de invasão

No mesmo contexto de instabilidade, Rogéria Bolsonaro, mãe de Carlos, Flávio e Eduardo — e ex-esposa do ex-presidente — usou as redes para relatar o que chamou de “crueldade e desumanidade”: sua residência e dos pais octogenários foram invadidas por criminosos que vasculharam a casa em busca de dinheiro supostamente enviado por Jair Bolsonaro, o que, segundo ela, não existe. Foi levado apenas seu celular e outros itens. Rogéria agradeceu às orações e à atuação da Polícia Militar e Civil de Resende, cidade onde mora.

Eduardo Bolsonaro chegou a afirmar que houve uma tentativa de intimidação, sugerindo motivação política; ainda assim, autoridades não confirmaram ligação entre o ataque e figuras públicas.

Medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes a Bolsonaro

Em 18 de julho, o STF ordenou o cumprimento de medidas cautelares: uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno e aos fins de semana, proibição de contato com autoridades estrangeiras e redes sociais e entrega dos celulares.

O descumprimento, de acordo com Alexandre de Moraes, resultou em prisão domiciliar decretada em 4 de agosto, com proibição de visitas (com exceção de advogados e familiares) e apreensão de aparelhos de comunicação.

Por último, o ministro Alexandre de Moraes solicitou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Moraes cobrou que a PGR avalie o relatório final da Polícia Federal (PF). A corporação indiciou Jair e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação no curso do processo e suposta tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Além disso, Moraes determinou, após pedido da Polícia Federal, o monitoramento integral de Bolsonaro pela Polícia Penal do Distrito Federal. Ele tomou a medida depois do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) informar à PF que haveria risco de fuga do ex-presidente. O petista, em sua justificativa, citou a proximidade entre a residência de Bolsonaro e a Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília.

A medida tem sido muito criticada por apoiadores, que apontam as medidas como ilegais e desnecessárias. O líder da oposição na Câmara, deputado Luciano Zucco (PL-RS), visitou Bolsonaro. “É revoltante ver um ex-presidente da República usando tornozeleira, com muito soluço e saúde debilitada”, afirmou. O parlamentar também criticou a situação jurídica de Bolsonaro. Disse principalmente que ele está “sendo cerceado na sua liberdade, preso sem sequer ter sido condenado”.

De acordo com o jurista André Marsiglia, o monitoramento domiciliar de Bolsonaro é ilegal. “Em primeiro lugar, não é um reforço, é uma vigília permanente. E isso em uma pessoa em prisão domiciliar é ilegal. Isso se chama constrangimento ilegal e é crime”, avalia. Ele explica que a medida é uma clara violação da privacidade e da intimidade do ex-presidente, sendo mais um exemplo de abuso de autoridade de Moraes.

Bolsonaro ‘está sendo enterrado vivo’

Essa foi a fala do Vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo, após visita ao ex-presidente. Ele afirmou que Bolsonaro se encontra abatido e preocupado com o julgamento no STF, enquanto aliados disputam herança política. Em Brasília, os bastidores já discutem um possível nome da direita em 2026, em caso de condenação do ex-presidente.

“É como se um pai estivesse na UTI, e os filhos estivessem disputando o espólio antes de ele morrer”, comparou o vice-prefeito de São Paulo. “E aqui eu não estou falando dos filhos do ex-presidente, não. Estou falando dos filhos políticos dele, dos herdeiros políticos do Bolsonaro.”

Sobre a referência ser aos governadores Tarcísio de Freitas (São Paulo), Romeu Zema (Minas Gerais) e Ronaldo Caiado (União Brasil), Mello Araújo confirmou: “É isso”. “Só querem o espólio dele, só querem os 30% dos votos dele”, disse o vice-prefeito paulistano. “Povo sem-vergonha! Só depois do julgamento [no Supremo Tribunal Federal] ele vai decidir o que fazer.”

Sem citar nomes, Carlos Bolsonaro também criticou a postura de governadores. Em suas redes sociais, ele disse que alguns agem como “ratos e oportunistas”. Na postagem, Carlos acusou os governadores de sobretudo se “encostarem” na imagem de Bolsonaro sem representarem de fato os eleitores conservadores.

“A verdade é dura: todos vocês se comportam como ratos, sacrificam o povo pelo poder e não são em nada diferentes dos petistas que dizem combater. Limitam-se a gritar ‘fora PT’, mas não entregam liderança, não representam o coração do povo”, disse.

O vereador acrescentou que esses políticos agem de forma “vergonhosa e patética” ao tentar herdar o espólio político de seu pai.

A publicação ocorreu um dia depois de o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), lançar sua pré-candidatura à Presidência. Zema apoiou Bolsonaro nas eleições de 2022 e tenta ocupar espaço como alternativa no campo da direita.

Outros governadores também buscam se credenciar como potenciais sucessores de Bolsonaro: Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo; Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás; e Ratinho Jr. (PSD), do Paraná.