Um dia antes, os militares já tinham anunciado a recuperação de dois corpos em Gaza, um deles era o de Ilan Weiss, o outro, reconhecido neste sábado é de Idan Shtivi
O governo israelense confirmou neste sábado, 30, a identificação do corpo de Idan Shtivi, de 28 anos, que havia sido levado por integrantes do Hamas durante o massacre de 7 de outubro de 2023. Ele foi morto no festival de música Nova, no deserto, e seus restos mortais foram retirados da Faixa de Gaza em uma operação conjunta das Forças de Defesa de Israel (FDI) e do serviço de segurança interna Shin Bet.
Um dia antes, os militares já tinham anunciado a recuperação de dois corpos em Gaza: o de Ilan Weiss, voluntário da equipe de segurança do kibutz Be’eri, e de uma segunda vítima que não havia sido identificada até então, agora confirmada como sendo Shtivi. A identificação oficial ocorreu no Instituto de Medicina Legal Abu Kabir. A família já sabia da morte de Shtivi desde que ele fora sequestrado, depois dos ataques.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Shtivi era “um homem de grande coragem e coração”. Em mensagem, lembrou que no dia do ataque ele ajudou a salvar diversos jovens que participavam da festa eletrônica. “No dia 7 de outubro de 2023, ele participou do festival Nova, e quando começou o ataque terrorista, ele agiu para resgatar e salvar muitos participantes da festa.”
Netanyahu telefonou às famílias dos dois reféns mortos, elogiando a bravura de ambos e destacando que Israel continuará atuando para trazer de volta todos os sequestrados, vivos ou mortos. O ministro da Defesa, Israel Katz, também expressou condolências à família de Shtivi e exaltou sua coragem.
Em mensagem no Instagram, as FDI declararam: “Antes de morrer, demonstrou coragem ao ajudar a retirar e salvar muitas pessoas que participavam do festival de música Nova em 7 de outubro de 2023.” E completaram: “Que sua memória seja uma bênção.”
O presidente Isaac Herzog, por sua vez, disse esperar que a devolução do corpo “traga algum consolo aos pais, Eli e Dalit, e aos irmãos, que demonstraram força notável em sua luta pelo retorno”.
Líderes da oposição também se manifestaram. Yair Lapid escreveu: “Lembraremos para sempre do sorriso de Idan, que decidiu ficar e tentar salvar seus amigos que dançavam pela vida.” Ele ainda enviou palavras de solidariedade à família.
Fotógrafo apaixonado por natureza, Shtivi estudava sustentabilidade e governo na Universidade Reichman, em Herzliya. No dia da tragédia, chegou ao festival pouco antes do início do ataque, às seis da manhã. Shtivi foi ao festival Nova para registrar em fotos os amigos que participavam como instrutores em oficinas.
Meia hora depois, ligou para a namorada, relatando os foguetes sobrevoando a região e dizendo que iria embora. Durante a invasão dos terroristas, ele escapou de carro com dois amigos, mas foi interceptado por homens armados.
Tentou retornar pela estrada, perdeu o controle do veículo e bateu em uma árvore. O automóvel foi encontrado repleto de marcas de tiros e sangue. Os amigos foram localizados mortos no local.
O Fórum de Famílias de Reféns e Desaparecidos agradeceu às forças de segurança pela devolução dos restos mortais e destacou que o processo de identificação foi longo e complexo, um alerta sobre o risco de vítimas desaparecerem sob os escombros de Gaza. O grupo reforçou que “o retorno dos reféns é a chave para a vitória de Israel, seja para resgate e reabilitação dos vivos, seja para dar sepultamento digno aos mortos”.
Reféns de Israel no cativeiro do Hamas
O episódio coincidiu com manifestações em várias cidades israelenses pedindo um acordo para a libertação de todos os sequestrados pelos terroristas. O Hamas mantém na Faixa de Gaza 48 reféns, entre eles, 20 que ainda estariam vivos, dois em estado considerado crítico e 26 já confirmados como mortos.
Apesar da pressão popular, o gabinete de segurança israelense ainda não discutiu formalmente a proposta mediada por Egito e Catar, que prevê libertação gradual de reféns em troca de cessar-fogo de 60 dias. O governo tem sinalizado preferência por seguir com ações militares em Gaza, especialmente a tomada da Cidade de Gaza em vez de aceitar o plano.
Desde o início do conflito, o Hamas libertou 30 reféns entre janeiro e março, entre eles civis israelenses, soldados e cidadãos tailandeses e outros, em diferentes ocasiões, somando mais de uma centena de libertados. Em contrapartida, Israel já soltou cerca de 2 mil prisioneiros palestinos, classificados como terroristas ou suspeitos de envolvimento em ações armadas.
Até agora, oito reféns foram resgatados com vida pelas forças israelenses, enquanto os corpos de 51 foram recuperados, incluindo três que morreram por engano em operações militares.
*Fonte: Revista Oeste