Banco Central rejeita a compra do Master pelo BRB

Decisão ocorre em meio a pressões políticas no Congresso e dúvidas sobre o negócio

O Banco Central (BC) rejeitou, nesta quarta-feira, 3, a proposta de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), que por volta das 22 horas emitiu nota confirmando o indeferimento por parte da autoridade monetária.

O BC tinha prazo de até um ano para concluir a análise. A autarquia sinalizava, contudo, interesse em dar um desfecho rápido. O negócio entre Master e BRB, que tornou-se público em março, movimentou o setor bancário. Os motivos eram as ligações políticas do centrão com Daniel Vorcaro, dono do Master. Além disso, especialistas chamavam a atenção para o grau de risco decorrente de operações com títulos precatórios e CDBs.

Banco Central expõe pressão política e queda de braço

A operação gerou, da mesma forma, disputa em torno do Fundo Garantidor de Crédito, cujas regras mudaram em agosto. A decisão do BC surge um dia depois de o centrão lançar ofensiva no Congresso. O movimento busca aprovar um projeto que daria poder a deputados e senadores de destituir diretores e o presidente do Banco Central. Integrantes do governo interpretaram o movimento como tentativa de pressão pela aprovação do negócio.

Renato Gomes, diretor de organização do sistema financeiro e de resolução do BC, atuou como principal resistência à operação. Ele era responsável por recomendar à diretoria a aprovação ou rejeição da transação. O assunto rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.

Ex-governador do Distrito Federal, o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) comemorou a decisão do BC. De acordo com ele, “não faz sentido envolver o BRB em uma operação com um banco falido e envolvido em problemas financeiros graves”.

A conclusão do acordo dependia de cinco condicionantes, incluindo principalmente uma auditoria do BRB nos ativos e passivos do Master. O plano previa separar os ativos de maior risco antes da compra, entre eles precatórios, direitos creditórios de ações judiciais e participações em empresas.

Em junho, a superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a operação sem restrições. Conforme a análise, a união dos bancos não criaria riscos à concorrência. A participação conjunta no mercado, argumentou o Cade, ficaria abaixo de 20%, patamar tecnicamente insuficiente para caracterizar dominância.

A negociação envolvendo o Master movimentou o setor político no decorrer dos últimos meses. Isso porque o interessado na aquisição, o BRB, é uma empresa de capital mista, com partes dos ativos negociados na Bolsa de Valores, mas com o governo do Distrito Federal sendo seu principal acionista. Logo a compra, anunciada em R$ 2 bilhões, envolveria dinheiro dos pagadores de impostos da capital do país.

Estimativas apontam que o Master tem cerca de R$ 80 bilhões em dívidas, que, dependendo dos pontos firmados na negociação agora vetada pelo BC, passariam a ser de responsabilidade do BRB.

*Fonte: Revista Oeste