Liderado por Renata Bortolotti, o grupo de 7 mulheres tinha um voo para Butão agendado
Os protestos recentes no Nepal resultaram na interdição do principal aeroporto do país, impedindo a saída de turistas, entre eles um grupo de brasileiras liderado por Renata Bortolotti, de São Paulo. As manifestações, iniciadas na última segunda-feira, 8, deixaram pelo menos 19 mortos.
Renata viajou ao Nepal com outras sete mulheres e relatou nas redes sociais as dificuldades enfrentadas desde a chegada, na última sexta-feira, 5. O grupo visitou Bhaktapur, cidade próxima à capital, Katmandu, mas precisou passar a noite por lá devido ao bloqueio total das estradas na volta.
“Estamos no Nepal, de volta a Katmandu. Passamos a noite em Bhaktapur. Não tivemos como voltar para Katmandu depois de um passeio, porque estava tudo fechado. Todas as estradas bloqueadas”, escreveu Renata nas redes sociais. “A situação aqui no nosso hotel está normal. Mas no entorno queimaram muitas coisas.”

O embarque delas para o Butão, previsto para esta quarta-feira, 10, ainda não ocorreu, pois o aeroporto da capital permanece fechado. “Ainda estamos esperando atualizações sobre o nosso voo de saída do Nepal para Butão. O aeroporto está fechado até meio-dia de hoje”, disse a brasileira.
Na noite anterior, Renata e as demais ficaram em uma guesthouse, onde ouviram explosões e gritos dos protestos. “Vivemos momentos de medo, mas estivemos amparadas e seguras dentro de uma guesthouse“, relatou. “É triste demais ver o que aconteceu, pelas vidas perdidas, pelos familiares e pelo clima no país.”
Bloqueio de redes sociais levaram a protestos no Nepal
Jovens formavam a maioria do grupo que tentou invadir o Parlamento do Nepal e foi contido com gás lacrimogêneo e balas de borracha na última segunda-feira. A reação das forças de segurança aos protestos contra o bloqueio de redes sociais no país deixou pelo menos 19 mortos e mais de 300 feridos, segundo informações da agência EFE.

O acesso a plataformas como Facebook e Instagram foi restringido pelo governo comunista do primeiro-ministro K.P. Sharma Oli na semana anterior, com a alegação de falta de cooperação das empresas no combate a crimes digitais, discurso de ódio e notícias falsas. Manifestantes denunciaram censura e corrupção e exigiram a reabertura das redes sociais.
Oli anunciou nesta terça-feira, 9, sua renúncia ao cargo. A decisão ocorreu dois dias depois do início dos protestos que tomaram o país. Os manifestantes chegaram a incendiar a casa particular do então primeiro-ministro, na cidade de Balkot. Em carta oficial, o premiê comunicou a saída imediata do cargo.
*Fonte: Revista Oeste