Fux: ‘Não compete ao STF realizar um juízo político’

Durante a retomada do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, o ministro do STF defendeu a imparcialidade dos magistrados

Nesta quarta-feira, 10, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que “não compete ao STF realizar um juízo político do que é bom ou ruim, conveniente ou inconveniente, apropriado ou inapropriado”.

“Compete a este Tribunal afirmar o que é constitucional ou ilegal”, ensinou, durante a retomada do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por suposta tentativa de golpe de Estado.

O ministro ressaltou ainda o dever de distanciamento e imparcialidade dos juízes. “O magistrado exerce dois papéis institucionais: funciona como garantidor da Constituição e, ao mesmo tempo, deve atuar com equilíbrio na esfera criminal”, disse.

Espera-se que Fux divirja do relator da ação penal, Alexandre de Moraes, e de Flávio Dino. Ambos condenaram Bolsonaro e os demais envolvidos no “núcleo 1”.

Voto de Luiz Fux deve interpelar delação de Cid

O tenente-coronel Mauro Cid, uma das testemunhas do julgamento sobre o suposto golpe de 8 de janeiro de 2023: respostas favorecem Bolsonaro, avalia Guzzo | Foto: Ton Molina/STF
O tenente-coronel Mauro Cid, uma das testemunhas do julgamento sobre o suposto golpe de 8 de janeiro de 2023 | Foto: Ton Molina/STF

Fux deve interpelar a validade da delação do tenente-coronel Mauro Cid, em virtude de sucessivos depoimentos contraditórios ao longo do processo.

Depois de firmar o acordo com a Polícia Federal (PF), no qual descreve o que seria um plano de ruptura institucional, reportagens da revista Veja revelaram áudios nos quais o militar sugere ter sido coagido a aderir a uma narrativa da PF.

Além disso, a revista noticiou que Cid mentiu em depoimento no STF ao negar que conhecia um perfil no Instagram

Conforme a publicação, o militar usou a página da própria mulher, na rede social, para fazer desabafos e também dar detalhes da própria colaboração.

*Fonte: Revista Oeste