Fux reitera a incompetência do STF para julgar Bolsonaro

Durante o seu voto, o ministro do STF observou que os réus da ação penal da suposta trama golpista não têm foro privilegiado

Durante o seu voto, nesta quarta-feira, 10, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a defender a incompetência da Corte para julgar o ex-presidente Jair Bolsonaro, e outros sete réus, por suposta tentativa de golpe.

“Concluo pela incompetência absoluta do STF para o julgamento deste processo, na medida em que os denunciados já haviam perdido os seus cargos”, constatou o juiz do STF. “Em virtude dessa incompetência, impõe-se a declaração de nulidade de todos os atos decisórios praticados. Ela anula, portanto, o processo.”

Fux destacou ainda a diferença entre a competência das Turmas e a do plenário:

“Acrescento que, a despeito de sucessivas emendas regimentais que versaram sobre qual órgão deve julgar, a competência sempre foi — e continua sendo — do plenário para analisar casos envolvendo presidente da República”, observou Fux. “Se o investigado é ex-presidente, o feito deveria ser remetido à primeira instância. Se como presidente está sendo julgado, compete, então, ao plenário, e não às Turmas.”

Luiz Fux defende julgamento imparcial

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O presidente Jair Bolsonaro, pouco depois de votar, no Rio de Janeiro – 30/10/2022 | Foto: Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo

Fux disse ainda que “não compete ao STF realizar um juízo político do que é bom ou ruim, conveniente ou inconveniente, apropriado ou inapropriado”.

“Compete a este Tribunal afirmar o que é constitucional ou ilegal”, ensinou.

O ministro também ressaltou o dever de distanciamento e imparcialidade dos juízes.

“O magistrado exerce dois papéis institucionais: funciona como garantidor da Constituição e, ao mesmo tempo, deve atuar com equilíbrio na esfera criminal”, afirmou.

*Fonte: Revista Oeste