Reajuste veio depois de pressão de delegações e crise provocada pela alta nos preços de hospedagem
A Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu reajustar o valor diário destinado a países de baixa renda para cobrir despesas durante a COP30, em Belém (PA). A mudança responde à pressão internacional diante da escalada dos preços de hospedagem na capital paraense, que vinha provocando críticas e ameaças de boicote ao evento.
A definição ocorreu nesta quarta-feira, 17, depois de uma reunião entre os organizadores da conferência climática e a UNFCCC, braço da ONU responsável pelas negociações sobre clima.
Segundo nota divulgada depois do encontro, o secretário-executivo Simon Stiell autorizou o aumento da diária de US$ 144 para US$ 197. O novo valor será repassado a 144 países classificados como menos desenvolvidos ou pequenos Estados insulares.
Com o agravamento da crise provocada pelos preços inflacionados na rede hoteleira de Belém, delegações de dezenas de países chegaram a enviar uma carta à UNFCCC e ao governo brasileiro exigindo a mudança da sede do evento. A ideia de levar a COP30 para outra cidade, como o Rio de Janeiro, ganhou força, mas foi descartada oficialmente.
O Brasil passou então a apoiar a reivindicação por reajuste no auxílio financeiro oferecido pela ONU, como forma de evitar desgaste diplomático. Nos bastidores, o argumento utilizado por negociadores foi que a diária paga pela organização em outras cidades brasileiras era bem superior à prevista para Belém.
Hospedagem permanece como desafio para o governo
Até o momento, 79 países já garantiram acomodação para a COP30. Outros 70 ainda negociam alternativas com a organização. Para tentar solucionar o impasse, o governo federal criou uma força-tarefa e iniciou a busca por soluções de hospedagem.
Uma das apostas envolve dois navios cruzeiros contratados para ficarem atracados nas imediações de Belém durante o evento. As embarcações oferecem 800 cabines por diárias de até US$ 200, destinadas exclusivamente às delegações de países menos desenvolvidos.
Fora desse pacote especial, os preços cobrados para hospedagem nos navios durante a COP chegam a ser quatro vezes mais altos do que o custo de uma viagem de ano-novo, e até nove vezes superiores ao valor de uma travessia no Mar Mediterrâneo.
Diante da repercussão negativa, plataformas como Airbnb e Hotels.com passaram a bloquear anúncios com preços abusivos. A medida ocorreu depois de solicitações da Defensoria Pública do Estado do Pará, Ministério Público e órgãos de defesa do consumidor.
*Fonte: Revista Oeste