Empresas citadas no caso se pronunciam e garantem ter seguido as normas legais
Um ex-piloto ligado a lideranças do Primeiro Comando da Capital citou Antônio Rueda, presidente do União Brasil, como suposto participante de um esquema de compra de jatos executivos operados por uma empresa de táxi aéreo. Mauro Caputti Mattosinho, de 38 anos, fez a declaração em depoimento à Polícia Federal e durante entrevista ao canal ICL Notícias.
Conforme o relato, Rueda aparecia como um dos nomes mais mencionados por um dos chefes do piloto, descrito como líder de um grupo com “muito dinheiro para gastar” na aquisição de aeronaves de alto valor. O ex-piloto afirma que quatro dos dez aviões em operação pela empresa seriam, na prática, controlados por esse grupo.
Mattosinho também afirmou que, durante um dos voos, transportou uma sacola de papelão que aparentava conter dinheiro em espécie. A entrega teria ocorrido no mesmo dia em que ouviu de um dos passageiros, conhecido como Beto Louco, que ele se reuniria com o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Documentos analisados pelo ICL mostram que duas das aeronaves atribuídas a Rueda pertencem a fundos de investimento com controlador final não identificado. Outra está registrada em nome de uma empresa da Periferia de Imperatriz (MA), cuja única sócia, em entrevista, negou conhecer tanto a firma quanto o avião.
Rueda, Ciro e empresas negam envolvimento com esquema de jatos
Rueda rejeitou todas as acusações. Disse que nunca foi dono de avião, tampouco cotista dos fundos citados na investigação. Segundo sua defesa, ele viajou apenas em voos comerciais ou como convidado, e jamais comprou ou intermediou a compra de aeronaves.
O político ainda afirmou desconhecer o uso da empresa de táxi aéreo por pessoas investigadas e considerou absurda a tentativa de vinculá-lo a qualquer ato ilícito. Em nota, declarou que “repudia com veemência” a citação de seu nome no caso.
O senador Ciro Nogueira também negou ter recebido valores ou mantido relação com Beto Louco. Ele pediu ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, a abertura de investigação sobre o episódio.
Além disso, entregou à Justiça seus dados bancários, telefônicos e telemáticos e processou o ICL Notícias por danos morais. O veículo alegou que a ação representa tentativa de intimidação judicial.
Durante a apuração, Ciro divulgou nas redes sociais o telefone do jornalista que o entrevistou, o que gerou críticas de organizações de defesa da imprensa.
A Táxi-Aéreo Piracicaba (TAP), responsável por operar os jatos, alegou desconhecer qualquer ligação com o crime organizado e informou que atua legalmente há 35 anos. Disse que não pode divulgar dados sobre seus clientes sem ordem judicial ou autorização expressa.
*Fonte: Revista Oeste