Organizações denunciam as detenções arbitrárias: não há acusações contra os parentes
A ditadura de Nicolás Maduro mandou prender o ativista de direitos humanos Pedro Hernández e quatro integrantes de sua família no Estado de Yaracuy, no centro-oeste da Venezuela. A detenção imotivada gerou forte reação de partidos e organizações de direitos humanos. A oposição, liderada por María Corina Machado, denunciou publicamente as novas arbitrariedades do regime.
Pedro Hernández teria sido detido na terça-feira 16, por agentes da Polícia Nacional Bolivariana. No dia seguinte, seu pai, Pedro Hernández Serrano, sua esposa, Natalia Álvarez, seu irmão, Daniel Enrique Hernández, e seu primo e advogado, José Hernández, também foram presos quando buscavam informações no Comando Nacional de Combate ao Sequestro (Conas). Pedro e Natalia têm um bebê de cinco meses, segundo as organizações que denunciaram a prisão.
Segundo nota do Comitê de Direitos Humanos do Vente Venezuela — o Vamos Venezuela, partido de María Corina —, a mãe de Hernández permaneceu do lado de fora do local, no carro com a neta de cinco meses, e acabou ameaçada por agentes armados.
O partido denunciou que familiares foram detidos de forma arbitrária e pediu atenção internacional ao que chamou de uso do método Sippenhaft (punição a toda a família de investigados) contra inocentes.
O Vente Venezuela destacou: “Alertamos a comunidade internacional desta nova aplicação do método Sippenhaft contra cinco membros de uma família inocente, da qual se desconhece o paradeiro e a integridade física”.
🚨 #URGENTE | La represión y el horror son usadas contra otra familia venezolana.
— Vente Venezuela (@VenteVenezuela) September 18, 2025
‼️ El régimen de Maduro secuestra a CINCO MIEMBROS de la familia Hernández, en #Yaracuy.
Pedro Hernández, activista y defensor de DDHH, fue secuestrado el 16 de septiembre del 2025 por… pic.twitter.com/jxAlEtniS8
Organizações criticam prisões arbitrárias feita pela ditadura de Maduro
O Observatório Venezuelano de Prisões (OVP), que postou fotografias da família, afirmou que os acontecimentos violam a Constituição do país e ressaltou a gravidade de separar uma criança de seus pais. “Separar uma bebê de cinco meses de seus pais é uma crueldade injustificável e um reflexo do desprezo absoluto do regime pela dignidade humana.”
En horas de la tarde del #16Sept, funcionarios de la PNB detuvieron arbitrariamente y sin orden judicial en Aroa, estado Yaracuy, al abogado y defensor de derechos humanos Pedro Hernández, director de la ONG @Campo_ONG y padre de una bebé de apenas cinco meses, a quien hoy se le… pic.twitter.com/moIKvEJMxX
— Observatorio Venezolano de Prisiones (@oveprisiones) September 17, 2025
Contexto de perseguição a ativistas
Para a ONG Espacio Público, o caso de Hernández amplia o histórico recente de detenções e desaparecimentos forçados de ativistas depois das eleições presidenciais de julho de 2024, que foram denunciadas como fraudulentas.
Pedro Hernández cumplió más de 48 horas detenido arbitrariamente. A las 5:30 pm del #16Sep fue visto por última vez en una patrulla de la PNB en el estado #Yaracuy.
— Espacio Público (@espaciopublico) September 19, 2025
El #17Sep Natalia Álvarez, su esposa; Pedro Hernández Serrano, su padre; y Daniel Hernández, hermano; también… pic.twitter.com/QJj3uEv1G5
Pedro Hernández, psicólogo formado pela Universidade Yacambú, é cofundador do Observatório de Direitos Humanos da instituição e dirige atualmente a ONG Campo, dedicada à defesa de agricultores e comunidades rurais. Ele já havia relatado outras perseguições, inclusive uma prisão em 2016 e ameaças em 2020.
*Fonte: Revista Oeste