Escoltado por policiais civis, Vitor Hugo da Silva, de 33 anos, apontado como cúmplice do soldado da Polícia Militar, Raylton Duarte Mourão, ficou em silêncio ao deixar a sede da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e ser colocado no camburão da viatura rumo ao Fórum de Cuiabá nesta quarta-feira (1°).
Vitor atuou como “piloto de fuga” do militar no dia em que a personal trainer Rozeli da Costa Sousa Nunes, de 33 anos, foi assassinada em Várzea Grande, em 11 de setembro deste ano. De acordo com a investigação, Vitor conduzia a moto que encurralou a vítima antes de Raylton abrir fogo.
O militar já está preso preventivamente. A motivação para o assassinato seria um processo envolvendo um acidente de trânsito provocado pelo caminhão de uma empresa de fornecimento de água, pertencente pertencente ao militar e à esposa dele, Aline Valandro Kounz.
Uma audiência de conciliação estava agendada no processo para ser realizada no dia 16 de setembro, mas a defesa desistiu do processo após o assassinato da personal trainer. De acordo com o delegado Bruno Abreu, que conduz as investigações, o crime foi fútil e que o processo caminhava para a derrota de Rozeli.
“Um crime totalmente fútil, uma ação judicial envolvendo aproximadamente R$ 15 mil. Eu particularmente olhei a ação toda e pude perceber que dificilmente a Rozeli até ganharia essa ação, pelo fato de o caminhão não ter realmente se envolvido na ação. Não teria motivo nenhum para matar essa pessoa. Ele poderia ter esperado a audiência para ver o que iria acontecer. Então assim, é lamentável o que aconteceu”, avaliou o delegado.
Perguntado se Victor teria envolvimento no acidente, Abreu afirmou que não. “Não, ele não tem envolvimento no acidente, ele apenas foi chamado para essa situação. É uma pessoa que não tem passagem policial nenhuma, não usa drogas, mas foi chamado para uma missão”, afirmou.
O homicídio
Na manhã do dia 11 de setembro deste ano a personal Rozeli da Costa Sousa Nunes foi executada a tiros perto de sua casa, logo após sair de carro para ir trabalhar, em Várzea Grande. À ocasião, uma motocicleta com duas pessoas se aproximou do veículo dela e o garupa atirou várias vezes contra a mulher que morreu no local. Depois de preso, o soldado Raylton Mourão confessou ser o atirador, mas se recusou a entregar o comparsa que pilotava a moto.
A motivação do assassinato foi um processo que Rozeli movia contra o policial militar a esposa dele em decorrência de um acidente de trânsito envolvendo um caminhão-pipa de uma empresa pertencente ao casal. O veículo da personal sofreu avarias e ela processou o militar para ser ressarcida do prejuízo. No entanto, o soldado executou ela a tiros faltando alguns dias para a primeira audiência no proceso, onde seria apresentada alguma proposta de conciliação. Após a morte da personal a família dela desistiu do processo.
*Fonte: FolhaMax