Anvisa leva 9 meses para suspender lote de ansiolítico com falha

Agência demorou para retirar Diazepam questionado por risco à saúde pública

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) levou mais de nove meses para suspender um lote do medicamento Diazepam 5 mg fabricado pela EMS, maior laboratório farmacêutico do Brasil. O produto continuou à venda nas farmácias até setembro, mesmo com alerta da Secretaria de Saúde de Minas Gerais de que o remédio representava risco à população.

O lote em questão venceu no mesmo mês em que a Anvisa decidiu agir. A ordem de retirada só foi publicada no Diário Oficial no dia 3 de novembro. A essa altura, o remédio já havia chegado ao fim do prazo de validade. Na prática, a medida teve efeito nulo.

O problema surgiu em novembro de 2024, quando testes do governo mineiro identificaram falta de uniformidade no conteúdo dos comprimidos. Em alguns, a quantidade do princípio ativo variava acima ou abaixo do limite permitido.

O Diazepam é a base do Valium, ansiolítico popular cuja patente expirou na década de 1980. A versão genérica fabricada pela EMS Sigma Pharma, em Hortolândia (SP), foi a única com falhas identificadas. Outras marcas não apresentaram irregularidades.

Minas Gerais determinou a suspensão do lote ainda em novembro, depois do laudo técnico da Fundação Ezequiel Dias. Dois dias depois, enviou ofício à Anvisa com as informações detalhadas.

Anvisa demorou para agir, mesmo com novos alertas

A Anvisa só reagiu ao caso em setembro de 2025. Antes disso, a agência recebeu novo laudo em março, depois de uma contraprova solicitada. Ainda assim, levou mais seis meses para publicar a suspensão oficial.

Dezesseis dias depois de ordenar a suspensão do lote, o órgão revogou a medida. Segundo a justificativa, houve divergência de metodologia entre os testes usados por Minas Gerais e os exigidos pelo registro do medicamento.

A EMS afirma que as análises fiscais não seguiram os métodos corretos. Por isso, a empresa sustenta que não há comprovação de falha no medicamento. A Anvisa também alegou que a contraprova, feita com técnica reconhecida, indicou conformidade. Com isso, arquivou o processo e suspendeu qualquer medida restritiva.

*Fonte: Revista Oeste