Haddad diz que Tarcísio atuou contra ‘interesses nacionais’ ao articular derrubada da MP da Taxação

Ministro criticou mobilização do governador para encerrar medida que ampliaria arrecadação com IOF

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, atribuiu ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um papel direto na derrubada da Medida Provisória (MP) sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Segundo o petista, o movimento favoreceu os setores mais ricos do mercado.

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 9, Haddad argumentou que Tarcísio teve como objetivo proteger os “privilégios da Faria Lima”, em detrimento da arrecadação federal.

“Mesmo com a notícia de que um governador do Estado agiu, na minha opinião, em detrimento dos interesses nacionais para proteger a Faria Lima, nós não vamos prejudicar o Estado de São Paulo”, disse o petista.

Haddad também afirmou que o Estado recebeu atenção especial da União. Além disso, alegou que a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido de “jamais discriminar um governador pela sua bandeira partidária”. “São Paulo nunca teve um tratamento como teve por parte desse governo”.

Tarcísio procurou deputados e líderes partidários do PP, União Brasil e Republicanos para influenciar a votação contra a MP. A movimentação teve como foco barrar um pacote tributário considerado nocivo ao setor empresarial e ao ambiente de investimentos.

Câmara inviabilizou continuidade da Medida Provisória

A MP retirava isenções e alterava dispositivos ligados ao IOF. O texto perdeu validade depois que o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o requerimento de retirada de pauta.

Nesse sentido, a votação teve 251 votos a favor da exclusão e 193 contrários. A MP 1.303/2025 previa um acréscimo de R$ 31,4 bilhões nas arrecadações de 2025 e 2026 com o aumento do IOF.

A Câmara retirou a MP da pauta e impediu qualquer nova análise. A proposta ainda dependia de votação do Senado Federal, mas perdeu validade à meia-noite. Como resultado, o trâmite se encerrou de forma definitiva.

*Fonte: Revista Oeste