‘Foi um grande alívio’, diz ex-refém sobre o retorno dos sequestrados

Em entrevista a Oeste, Clara Marman diz que a alegria só não foi completa porque ainda falta o retorno dos corpos das vítimas do Hamas

A vida de Clara Marman, de 63 anos, nunca mais foi a mesma desde que ela voltou do cativeiro do Hamas, em novembro de 2023. Ela deixou de atuar como professora de educação infantil para se dedicar a uma causa: trabalhar para o retorno de todos os reféns que ainda estavam com o grupo terrorista. Nesta segunda-feira, 13, quando os últimos reféns vivos foram libertados, ela conta que o alívio foi grande, mas não completo.

“Fui envolvida por uma enorme sensação de alegria com o retorno deles, foi um grande alívio, você não pode imaginar”, diz Clara. “Mas logo veio uma sensação de falta, que não permite que a comemoração seja plena. Ainda falta o retorno dos corpos dos reféns, e é importante que isso ocorra em respeito às famílias que não puderam enterrar seus entes queridos.”

Nascida na Argentina, Clara se mudou para Israel, onde conheceu Luis Har, de 72 anos, também argentino, com quem se casou. No dia 7 de outubro, um sábado, estavam no kibutz Nir Yitzhak, onde foram mortas 400 pessoas no ataque terrorista.

Clara foi sequestrada com a irmã, Gabriela Leimberg, de 61 anos, a sobrinha, Mia Leimberg, de 19 anos, o irmão, Fernando Marman, de 60, e Luis. As três mulheres foram libertadas em 28 de novembro, como parte do acordo de cessar-fogo temporário. Luis e Fernando foram resgatados em ação das forças de Israel, em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em 12 de fevereiro.

Desde então, a rotina dela mudou completamente. Clara passou a fazer parte de ações para apoiar as famílias dos reféns e pressionar pelas negociações de um cessar-fogo.

“Dedico grande parte de meu tempo nesta missão, não pude retomar a minha vida, não voltei para a minha casa, todas minhas atividades mudaram, junto com as de Luis”, conta a ex-refém.

“O que fazemos é apoiar as famílias e viajar por Israel e pelo mundo, como já fomos para o Brasil, para ajudar no retorno e evitar que as pessoas se esqueçam.”

Apoio aos familiares de reféns

O casal continua atuando nas ações da organização Bring Them Home Now, que, ainda à espera do retorno dos corpos, também não teve sua missão concluída.

Luis teve a ideia de construir um monumento no meio da Praça dos Reféns, em Tel-Aviv, com as letras da palavra Esperança encaixadas e coloridas. O próprio poder público acolheu a sugestão, que foi executada por jovens voluntários.

“Fiz amizade com muitas famílias e passei esse tempo alimentando a esperança deles”, destaca Clara. “Sempre digo: acredite, eu, por exemplo, saí em meio a negociações, meu irmão e meu marido foram resgatados. Nunca estivemos sozinhos, nesse sentido.”

A comoção no país pelo retorno dos reféns foi fundamental em todo esse processo, segundo ela.

“Sentir o apoio, a emoção, a solidariedade das pessoas que desejavam de coração o nosso retorno é algo fundamental para os reféns, ajuda muito.”

Clara se mudou para o kibutz Urim, próximo do local dos ataques. Ela ainda não sabe por quanto tempo ficará por lá. O local está seguro. Mas sua preocupação é que isso se mantenha e que o país afaste de vez a ameaça terrorista.

“Minha maior preocupação agora é para que esses atos cruéis e desumanos nunca mais se repitam.”

*Fonte: Revista Oeste