Conhecida por sua oposição à ditadura chinesa, Sanae Takaichi tende a adotar uma agenda de alinhamento com os Estados Unidos
Sanae Takaichi se tornou a nova primeira-ministra do Japão nesta terça-feira, 21. Ela é a primeira mulher a ocupar o cargo no país. Depois de um acordo de última hora com o Partido da Inovação do Japão (PIJ), o Parlamento confirmou a informação.
Fukushiro Nukaga, porta-voz do Parlamento japonês, anunciou o resultado depois da apuração. Como resultado, Takaichi recebeu 237 dos 465 votos, superando em 4 o mínimo exigido para vencer.
A conservadora, de 64 anos, chega ao poder com apoio inesperado no primeiro turno da votação parlamentar. Sua posse depende apenas do encontro formal com o imperador Naruhito, marcado para as próximas horas.
Conhecida por adotar linha dura contra a ditadura chinesa, Takaichi já havia sido eleita em 4 de outubro para liderar o Partido Liberal Democrático (LDP). A legenda domina a política japonesa há décadas. No entanto, mesmo com esse histórico, o LDP vem enfrentando desgaste e perdeu apoio popular nos últimos anos.
Poucos dias depois da vitória interna, Takaichi viu sua base ruir. O partido Komeito, até então aliado do LDP, rompeu a coalizão por divergências ideológicas e envolvimento do LDP em um escândalo de financiamento político. O impasse forçou uma reviravolta: a nova premiê fechou aliança com o PIJ nesta segunda-feira, 20, garantindo maioria suficiente no Parlamento.
Takaichi deve receber Donald Trump na próxima semana
A nova chefe de governo será a quinta pessoa a liderar o Japão em apenas dois anos — reflexo de instabilidade política e fragmentação partidária. Ela assume com uma agenda cheia. Na próxima semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desembarca em Tóquio para uma visita oficial.
Takaichi já declarou que pretende fortalecer a economia, ampliar a influência internacional do Japão e garantir que o país se torne referência para as futuras gerações. Entre seus ídolos políticos, está Margaret Thatcher, ex-primeira-ministra do Reino Unido.
Seu desafio agora será unificar uma base instável e avançar com reformas em um cenário de crise fiscal e tensões geopolíticas crescentes.
*Fonte: Revista Oeste