Carlos Viana: ‘CPMI do INSS vai investigar o núcleo político’

Presidente da comissão anuncia nova etapa e determina proteção ao vice Duarte Jr., que denunciou ameaça depois de questionar repasses milionários da Confederação dos Pescadores

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou uma nova fase de investigações, a qual buscará identificar o núcleo político que deu sustentação às fraudes nos descontos previdenciários durante diferentes governos.

Viana deu a declaração em resposta a editorial do jornal O Estado de S. Paulo o qual levantou dúvidas sobre a efetividade dos trabalhos da CPMI do INSS em relação à responsabilização dos envolvidos na fraude.

“Nós estamos entrando na fase mais delicada, porque as operações, os depósitos, tudo isso já está muito bem delineado. Hoje se a gente quisesse acabar com a CPMI e fazer um relatório apontando quem roubou, nós já poderíamos fazer”, afirmou. “Mas cadê o núcleo criminoso político? Cadê aqueles que indicaram? E eles receberam o que pelas indicações para manter essas pessoas roubando os aposentados?”

Reunião da CPMI do INSS | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Proteção ao vice-presidente da CPMI do INSS

Ainda na sessão desta quinta-feira, 6, Viana deferiu um pedido de proteção ao deputado Duarte Jr. (PSB-MA), vice-presidente da CPMI. O parlamentar afirma ter sido ameaçado pelo deputado estadual maranhense Edson Araújo (PSB), por meio de mensagens.

“Essa ameaça ocorreu depois da reunião passada, em que nós recebemos aqui o presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA), e nós fizemos o questionamento (mesmo ele [Edson Araújo] sendo deputado estadual, mesmo ele sendo vice-presidente da CBPA, mesmo ele sendo filiado atualmente ao mesmo partido que eu), nós fizemos questionamento perguntando por qual razão a CBPA, após subtrair R$ 123 milhões da conta de aposentados e pensionistas, depositou mais de R$ 3,5 milhões na conta do Edson Araújo, pessoa física, e mais de R$1,5 milhão na conta dos seus assessores na Assembleia”, disse Duarte. 

Aluno de Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), Hildelis Duarte Júnior (PSB), que hoje é deputado federal, pertence ao partido do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin | Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados
O deputado federal Duarte Júnior (PSB) | Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

Segundo o deputado, depois da denúncia, Edson Araújo teria enviado mensagens de teor intimidador por WhatsApp: “Ele reafirmou que eu era palhaço, irresponsável e incompetente”.

“E disse: ‘Nós ainda vamos nos encontrar’”, prosseguiu “Eu perguntei: ‘Você está me ameaçando?’. Ele disse: ‘Estou, por quê?’”.

Diante da denúncia, Viana determinou escolta de segurança para o vice-presidente e sua família, com apoio da Polícia Legislativa e da Polícia Federal: “Vamos oficiar o presidente da Câmara, Hugo Motta, para garantir a proteção em Brasília e no Maranhão”.

*Fonte: Revista Oeste