Ministra de Lula libera quase R$ 3 milhões a anistiados do regime militar

As decisões preveem pensão mensal de R$ 2 mil com valores retroativos

A ministra Macaé Evaristo, dos Direitos Humanos e da Cidadania, autorizou o pagamento de quase R$ 3 milhões para indenizar anistiadas que teriam sido perseguidos durante o regime militar.

O ato, que também inclui o pedido oficial de desculpas do Estado brasileiro, preveem pensão mensal de R$ 2 mil com valores retroativos.

Os sete casos foram analisados na 13ª Sessão Plenária do Conselho da Comissão de Anistia, realizada em setembro. Em um dos processos, a indenização individual alcança cerca de R$ 450 mil.

Outras medidas anunciadas por Macaé Evaristo

Prédio do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania | Foto: Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania | Foto: Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Além da compensação financeira, o ministério informou que o “período de perseguição política” será reconhecido para todos os fins legais, como aposentadoria, tempo de serviço e direitos trabalhistas.

As medidas seguem a Lei nº 10.559/2002, que regulamenta a concessão da anistia política a pessoas punidas, demitidas ou prejudicadas por motivos ideológicos durante o regime.

No despacho, Macaé afirmou que o ato busca “oficializar, em nome do Estado brasileiro, o pedido de desculpas pela perseguição sofrida no período ditatorial” e conceder “reparação econômica de caráter indenizatório, em prestação mensal, permanente e continuada”.

Valores das indenizações

  • R$ 481.866,67;
  • R$ 448.433,33;
  • R$ 436.733,33;
  • R$ 449.300,00;
  • R$ 481.866,60;
  • R$ 448.033,33;
  • R$ 100.000,00.

A Comissão de Anistia

Criada em 2002 para reparar vítimas e responsabilizar agentes do regime militar, a Comissão de Anistia já recebeu mais de 80 mil pedidos entre 2001 e 2024.

Desse total, 39.984 foram deferidos, 31.669 indeferidos e 5.336 arquivados por decisão judicial ou por não se enquadrarem nos critérios da comissão. Atualmente, há mais de 2 mil processos aguardando análise, cerca de 750 em fase de revisão e mais de 200 anulados por decisão do Supremo Tribunal Federal.

O conselho da comissão é consultivo, mas a decisão final sobre cada caso cabe ao titular do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

*Fonte: Revista Oeste