COP30 em Belém sofre redução de mais de 10 mil inscritos

Desinteresse internacional afeta o evento climático e levanta dúvidas sobre o alcance político da conferência

A COP30 de Belém (PA) reúne menos representantes oficiais do que a edição anterior em Baku, no Azerbaijão. A China, por exemplo, reduziu sua comitiva em 40%. Em 2024, o país havia enviado 190 pessoas. Agora, com 114, configura a menor delegação de Xi Jinping nos últimos anos. O jornal Folha de S.Paulo divulgou as informações nesta quinta-feira, 13.

A União Europeia (UE) também enxugou suas equipes. Somados, os 27 países do bloco registraram 790 participantes — uma queda de 46% em comparação com os 1.456 da COP29.

Em números absolutos, a maior redução veio da Alemanha, que cortou sua equipe pela metade: de 177 para 87 inscritos. A Itália baixou de 146 para 67. Bulgária e Polônia também diminuíram de forma expressiva. Já a França aumentou sua comitiva, de 63 para 80 pessoas.

Publicada pelas Nações Unidas (ONU) na segunda-feira 10, a lista provisória de credenciados mostra que 194 partes registraram presença na COP30. No total, os governos enviaram cerca de 11,5 mil representantes. O número representa queda de quase 35% em relação aos 17,6 mil em Baku.

Ao todo, a conferência contabilizou 56,1 mil inscritos. Em 2024, eram 66,7 mil. A participação oficial dos países corresponde a 20,5% desse total. O restante inclui integrantes da sociedade civil, imprensa, funcionários da ONU e representantes não diretamente ligados às negociações, como empresários e acadêmicos.

A delegação indicada pela própria UE, sem contar os países do bloco, também caiu: de 78 para 65 nomes.

Baixa participação expõe dificuldades logísticas e desinteresse na COP30

Entre os ausentes mais notados estão os Estados Unidos. O governo de Donald Trump não credenciou nenhum representante oficial para o evento no Pará. Em Baku, a comitiva norte-americana somava 247 pessoas.

A Indonésia também enxugou sua participação. De 236 inscritos em 2024, o número caiu para 147 — queda de 37%.

O grupo dos Pequenos Estados Insulares, formado por 39 países ameaçados pela elevação do nível do mar, perdeu 254 representantes. Juntos, somam agora 957 inscritos.

Uma tentativa de reverter essa queda veio por meio de um subsídio ampliado da ONU, que passou a oferecer US$ 197 por dia para hospedagem — acima dos US$ 144 oferecidos anteriormente.

*Fonte: Revista Oeste