Assembleia Nacional do país aprovou, com 255 votos favoráveis e 146 contrários, decisão que mantém patamar de aposentadoria em 62 anos e 9 meses
A Assembleia Nacional da França aprovou, nesta quarta-feira, 12, a suspensão da reforma da Previdência por maioria. O total de votos foi de 255 votos favoráveis e 146 contrários.
Assim, essa decisão mantém a idade mínima de aposentadoria em 62 anos e 9 meses até depois das eleições presidenciais de 2027. A escolha marca uma concessão do primeiro-ministro do país, Sébastien Lecornu, ao Partido Socialista (PS) para impedir uma moção de censura.
O artigo que determina a suspensão foi incluído durante discussões orçamentárias, que avançaram de forma lenta no Parlamento francês. Conforme noticiado pela France 24, a validade dessa medida ainda depende da votação final sobre todo o projeto de lei de Seguridade Social, que precisa ser aprovado para que a mudança tenha efeito legal.
Cenário político na França e acordos para aprovação

O contexto político francês contribuiu para a decisão. Desde as eleições antecipadas de 2024, convocadas pelo presidente Emmanuel Macron, o Parlamento se mantém fragmentado e instável, tendo inclusive derrubado o ex-primeiro-ministro Michel Barnier durante debates sobre o Orçamento naquele período.
O acordo entre Lecornu e o Partido Socialista foi central para a aprovação. Com a suspensão, milhões de trabalhadores terão a possibilidade de se aposentar antes do que previa o plano inicial de Macron. “3,5 milhões de franceses poderão se aposentar mais cedo”, afirmou a deputada Mélanie Thomin, do PS, à France 24. “Estamos demonstrando que apostar na construção de consenso compensa.”
Contudo, especialistas dizem que a medida pode dificultar o objetivo do governo de reduzir em € 30 bilhões o déficit orçamentário francês, embora ainda não existam cálculos atualizados sobre o impacto fiscal.
Em 2 anos, o país já teve cinco primeiros-ministros e tenta controlar o maior déficit da zona do euro. A decisão representa uma trégua para o gabinete de Lecornu diante do cenário político conturbado.
*Fonte: Revista Oeste