Reino Unido anuncia endurecimento de regras para conter imigração

Entre as medidas, estão o fim da concessão automática de auxílio financeiro para os refugiados

Para fazer frente às cobranças de direita e dos britânicos comuns, o governo esquerdista de Keir Starmer anunciou neste sábado, 15, um pacote de medidas rigorosas para conter o avanço da imigração irregular para o Reino Unido pelo Canal da Mancha.

Entre as ações previstas estão o endurecimento dos critérios para concessão de asilo e o fim do acesso automático a benefícios sociais para quem se declararar refugiado.

Autoridades britânicas qualificaram as mudanças como “históricas” e afirmam que o objetivo é reduzir o número de migrantes que chegam da França em embarcações improvisadas.

O movimento ocorre em meio ao avanço do partido Reform UK, liderado por Nigel Farage, que tem como principal bandeira o combate à imigração.

Segundo a ministra do Interior, Shabana Mahmood, “o país tem orgulho de sua tradição de acolher pessoas que fogem do perigo, mas nossa generosidade atrai migrantes ilegais através do Canal da Mancha”.

Em uma entrevista, ela afirmou que é filha de imigrantes, mas admitiu que a imigração ilegal, amplamente tolerada e até incentivada pela esquerda, “está criando divisões em todo o nosso país”. “É um sistema falho e temos um problema real para resolver. Meu trabalho é encontrar uma solução adequada que possa unir um país dividido.”

Detalhes das novas medidas do Reino Unido para conter a imigiração

O Ministério do Interior antecipou duas das principais mudanças: a redução na concessão de proteção a refugiados, que poderão ser obrigados a retornar aos países de origem quando considerados seguros, e a eliminação do acesso imediato a moradia e auxílio financeiro para quem solicitar asilo. O restante do plano será apresentado ao Parlamento na segunda-feira 17.

Mahmood caracterizou o sistema atual como um “‘bilhete dourado’ que leva pessoas a atravessar países seguros da Europa para embarcar em barcos improvisados” e disse que as regras britânicas mais generosas incentivaram o aumento dos pedidos de refúgio. Atualmente, refugiados podem solicitar residência definitiva sem custos após cinco anos de permanência, mesmo sem terem contribuído financeiramente para o país. “Vou acabar com esse bilhete dourado”, declarou a ministra.

Inspiração dinamarquesa e mudanças práticas

O governo do Reino Unido se inspirou na política dinamarquesa, adotada por sociais-democratas desde 2019, para formular as novas normas. Entre as principais mudanças anunciadas está a redução do tempo de estadia de cinco anos para 30 meses, além da ampliação de cinco para 20 anos do prazo necessário para requerer residência permanente. Para acelerar esse processo, refugiados precisarão trabalhar ou estudar.

Outra alteração relevante é a retirada dos benefícios sociais automáticos para solicitantes de asilo, principalmente para aqueles que têm direito ao trabalho ou não cumprem a lei, segundo comunicado oficial. O governo argumenta que muitos migrantes optam por não buscar emprego mesmo tendo essa possibilidade.

Imigração ilegal

Desde a posse em julho de 2024, o gabinete de Starmer enfrenta pressão para conter a travessia de migrantes pelo Canal da Mancha. Só entre 1º de janeiro de 2025 e este sábado, 15, desembarcaram 39,3 mil pessoas nas costas britânicas, número superior aos 36,8 mil registrados em 2024.

Apesar das tentativas anteriores, as medidas não impediram protestos anti-imigração. Durante o verão europeu, manifestantes se reuniram em frente a hotéis que abrigam solicitantes de asilo, sendo que um ato organizado pela extrema direita reuniu cerca de 150 mil pessoas em Londres em setembro, conforme dados da polícia.

*Fonte: Revista Oeste