PGR pede condenação e argumenta que o grupo atuou em duas frentes estratégicas
A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta terça-feira, 18, o julgamento do processo contra dez réus ligados ao chamado “núcleo 3” da suposta tentativa de golpe de Estado.
Nas duas reuniões anteriores, os ministros ouviram a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e os argumentos das defesas. Agora, começam a apresentar os votos.
O relator, Alexandre de Moraes, foi o primeiro a se manifestar. Em seguida, votam os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. Caso o julgamento não termine hoje, os magistrados devem retomar análise nesta quarta-feira, 18.
A Corte vai decidir primeiro se os acusados devem ser condenados. Se houver maioria, os ministros fixarão as penas. A tendência no STF é pela condenação, repetindo o que já ocorreu com os envolvidos nos núcleos 1 e 2 do mesmo processo.
A PGR atribui ao grupo tarefas operacionais dentro da “trama do golpe”. Segundo o órgão, eles teriam atuado em duas frentes: elaborar planos para assassinar Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin e Moraes; e pressionar os comandos das Forças Armadas para aderir à suposta ruptura institucional.
Nesse sentido, o núcleo reuniria oficiais das Forças Especiais do Exército e um agente da Polícia Federal. Entre eles estariam coronéis, tenentes-coronéis e um general da reserva.
A PGR acusa os dez investigados por organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio público tombado.
PGR quer condenação dos acusados
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a condenação de todos os integrantes. A única exceção envolve o tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Júnior. Conforme Gonet, ele participou de discussões sobre um manifesto de oficiais da ativa, mas não aderiu às etapas seguintes do plano.
A decisão da Corte pode ressaltar a tese de que a “trama golpista” envolveu núcleos distintos, mas interligados, com articulações políticas, desinformação e ações armadas.
*Fonte: Revista Oeste