Agência de saúde dos EUA atualiza site e relaciona vacinas a autismo

CDC afirma que não há evidências suficientes para descartar relação entre imunizantes e doença

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA atualizou na última quarta-feira, 19, seu site oficial e passou a afirmar que não há evidências suficientes para garantir que vacinas infantis não causem autismo e destacou que os estudos disponíveis ainda não descartaram essa possibilidade.

Os pontos principais contidos na alteração do CDC são estes, conforme a alteração no site:

  • A afirmação “as vacinas não causam autismo” não é baseada em evidências, pois estudos não descartaram a possibilidade de que vacinas infantis causem autismo;
  • Estudos que comprovam essa ligação foi ignorada pelas autoridades de saúde;
  • O Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) iniciou uma avaliação abrangente das causas do autismo, incluindo investigações sobre possíveis mecanismos biológicos e potenciais relações causais.

Segundo o CDC, a declaração “as vacinas não causam autismo” tem sido “historicamente divulgada pelo CDC e outras agências federais de saúde do HHS para evitar a hesitação em relação à vacinação”.

A agência afirma que desde 1986 todos os estudos acerca da relação entre autismo e vacinas têm sido revisados e não há evidências que descartem essa ligação. Por isso, o CDC corrige, agora, a afirmação de que vacinas não causam autismo.

“Desde então, diversos relatórios do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) e do Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências examinaram as ligações entre autismo e vacinas. Essas revisões concluíram consistentemente que ainda não existem estudos que sustentem a afirmação específica de que as vacinas infantis DTaP, HepB, Hib, IPV e PCV não causam autismo e, portanto, o CDC violou a Garantia de Qualidade de Dados (DQA) ao afirmar que as vacinas não causam autismo. O CDC está agora corrigindo a declaração, e o HHS está fornecendo financiamento e apoio adequados para estudos relacionados a vacinas infantis e autismo.”

Até agora, o site do CDC apresentava a informação de que não existia vínculo entre vacinas e o desenvolvimento do transtorno do espectro autista (TEA), com base em estudos realizados até então.

EUA vão fazer avaliação abrangente sobre relação entre vacinas e autismo

Sobre a avaliação abrangente das causas do autismo, o CDC informa que o Departamento de Saúde já começou a investigação, que também abrange mecanismos biológicos e potenciais relações causais. “Esta página será atualizada com evidências científicas de alta qualidade resultantes da avaliação abrangente do HHS sobre as causas do autismo, conforme exigido pela Avaliação de Qualidade de Dados (DQA)”, diz o CDC.

CDC
Centro de Controle de Doenças (CDC) | Foto: James Gathany/CDC/Divulgação

Repercussão

A presidente e CEO da organização Children’s Health Defense em Nova Jersey, Mary Holland, elogiou a mudança feita pelo CDC. “Finalmente, o CDC está começando a reconhecer a verdade sobre essa condição, que afeta milhões de pessoas, desmentindo a mentira descarada e antiga de que ‘as vacinas não causam autismo’”, afirmou Holland, segundo à Fox News.

Ela acrescentou: “Nenhum estudo jamais comprovou essa afirmação irresponsável; pelo contrário, muitos estudos apontam as vacinas como a causa primária plausível do autismo. Felizmente, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos lançou agora uma avaliação abrangente sobre as causas do autismo, incluindo uma investigação de mecanismos biológicos plausíveis”.

Por outro lado, entidades médicas, como a Academia Americana de Pediatria, continuam a refutar qualquer ligação entre vacinas e autismo. “Estudos não têm repetidamente encontrado nenhuma ligação credível entre vacinas infantis, que salvam vidas, e o autismo”, afirma a instituição em seu site. A academia reforça: “Os cientistas estão aprendendo cada vez mais sobre as possíveis causas do autismo. Uma coisa que sabemos com certeza é que as vacinas não são uma das causas. Não existe uma única causa-raiz para o autismo.”

Prevalência

O levantamento mais recente do CDC revela que, entre crianças nascidas em 2014, uma de cada 31 — o equivalente a 3,2% — recebeu diagnóstico de transtorno do espectro autista. No ano 2000, a proporção era de aproximadamente uma de cada 150, ou 0,67%.

*Fonte: Revista Oeste