André Corrêa do Lago admitiu, no entanto, que o tempo para negociações ficou mais apertado
O incêndio no pavilhão da Blue Zone da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), nesta quinta-feira, 20, deve afetar as negociações finais do evento, segundo o presidente da conferência, André Corrêa do Lago. Ele disse que o tempo para negociações se tornou mais restrito, o que deixou as discussões finais ainda mais desafiadoras.
“Atrapalhar eu não diria, mas afetar, sem a menor dúvida, porque ficou mais apertado o tempo, e a negociação está muito difícil”, afirmou à CNN Brasil. “Tem muitas coisas ainda pendentes, mas acredito no esforço e no mutirão dos delegados estrangeiros que estão querendo muito trabalhar por um bom resultado.”
O embaixador também destacou que a proposta para eliminar combustíveis fósseis segue sendo um ponto de divergência entre os países. “Toda a parte de setor privado foi incrível nesta COP, e o reconhecimento é absolutamente total”, avalia. “Agora, a implementação com relação à questão de fósseis essa COP mostrou muitas soluções alternativas, muitos caminhos que vários países já estão fazendo, então vai ser uma etapa muito importante na maturidade dessa discussão.”

De acordo com ele, a COP30 pode ser marcada pela valorização da floresta como pauta positiva, com relevância não apenas para o combate ao desmatamento, mas também à restauração ambiental. “Ficou muito clara a importância da conservação, mas também da restauração. Isso ampliou muito a noção do quanto a floresta é importante para o clima.”
Fontes ouvidas pelo jornal Folha de S.Paulo, que preferiram não se identificar, avaliaram que o incêndio poderia interferir no andamento da conferência e no clima entre os diplomatas. Outros negociadores lembraram que será preciso mais tempo para concluir as tratativas, minimizando o impacto do incidente e observando que episódios semelhantes poderiam ocorrer em outros locais.
Causas do incêndio e resposta das autoridades
O motivo exato do incêndio, iniciado no estande dedicado aos países da África oriental, ainda não foi esclarecido. Segundo o Corpo de Bombeiros, suspeita-se que um micro-ondas tenha causado as chamas, o que forçou a evacuação do local. Durante o processo, houve tumulto, o teto de lona foi atingido e a energia elétrica precisou ser cortada.

No total, 21 pessoas receberam atendimento das equipes de saúde da COP30. Em resposta ao ocorrido, a ONU, as forças de segurança e a organização do evento convocaram uma reunião emergencial. Já na primeira semana, a ONU havia alertado para falhas na infraestrutura e na segurança por meio de um ofício encaminhado à organização.
O secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, Simon Stiell, assinou o documento exigindo reforços na proteção e a resolução de problemas como alagamentos e altas temperaturas. Ainda antes da COP30, dezenas de negociadores enviaram carta ao governo Lula e a Stiell solicitando a transferência do evento, devido ao custo elevado de hospedagem e à precariedade da infraestrutura local.
Apesar das críticas, o governo federal manteve a realização da COP30 em Belém, atitude que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como demonstração de coragem. O incêndio se deu durante a etapa final da conferência, quando os países buscam consenso sobre o texto do acordo climático.
*Fonte: Revista Oeste