Faccionados atuavam em Juína e recebiam ordens de lideranças da faccção direto da cadeia
O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, condenou faccionados do Comando Vermelho (CV) em Juína (735 km de Cuiabá) por manter estrutura organizada e divisão de tarefas, com ordens vindas de dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, para autorizações de salves – sessão de tortura mediante a extrema violência. A decisão é da última terça-feira (18).
Os condenados são Adailton Oliveira de Arruda, o “Ton” ou “Oliveira”, Carolayne Silva dos Santos, a “Mana Japa”, Cássio Gonçalves Figueiredo, o “Xeque-Mate”, Eliseu Pessoa de Sousa, o “Xiru”, Lumara de Oliveira, a “Pestinha”, Lucivano José Rukhaber, o “Magrão” ou “Grego Loko”, Paulo Henrique Rafael de Souza, o “Paulão” ou “PH”, Welington Alves da Silva, o “Galego” ou “Amarelo” e Zaqueu Pessoa Roque, o “Patrão”, “Hiago” ou “Rock”. Quase todos já estavam presos.
“A materialidade delitiva dos crimes de integrar organização criminosa e tráfico de drogas restou cabalmente comprovada por meio dos depoimentos colhidos na fase policial e em juízo, bem como pelos documentos elencados de forma minuciosa pelo Ministério Público”, escreveu o magistrado em trecho da decisão ao fundamentar as condenações.
Segundo a decisão, “Ton” era o disciplina do CV no município. O celular dele mostrava planos de execução de rivais, chamados de “cabriteiros”, e venda de drogas. A sentença destaca que o réu participava de grupo com a hierarquia da facção e “se comprometia a guardar um revólver”, além de pedir arma, chamada de “caneta”.
“Xiru” era responsável por manter em depósito parte da droga e fornecê-la para usuários, por orientação de seu irmão Zaquel, preso na Penitenciária Central do Estado (PCE). Nos diálogos extraídos de seu celular, ele trata sobre a execução de “chefão do PCC”, venda de drogas e o cadastro de chips de telefone celular utilizando documento de terceiro para tentar evitar a identificação da autoria delitiva dos crimes por ele perpetrados.
Já “Mana Japa” teria o cargo de disciplina feminina, com vídeos de tortura enviados para outros faccionados. Ela negociava drogas e fazia repasses para presídio. Nos diálogos, dizia que estava “na ativa do chá”, gíria para venda de maconha.
“Pestinha” e “PH/Paulão” aparecia com um instrumento de madeira cheio de pregos para agredir pessoas como punição da facção. Segundo o processo, “a agressão era filmada e compartilhada”.
O comando do esquema seria de “Patrão/Hiago/Rock”, que confessou que “na época comandava o tráfico na região de Juína. Que tinha três guris com quem mantinha conexão”, traz trecho dos autos.
O juiz destacou que Rock “recebia transferências via PIX, oriundas do tráfico de drogas”, e determinava a guarda e distribuição da droga pelos comparsas. “Magrão”, mesmo preso, era chamado de “padrinho” e mandava aplicar “salves”. “Vai cumprir a missão com o vulgo Xeque-Mate”, ordenava ele em conversa citada na sentença.
Nas casas deles, foram apreendidas cocaína, maconha, crack e ecstasy, balanças, papel-filme e fotos embalando e pesando droga. A sentença afirma que havia emprego de arma de fogo para proteger o esquema e matar rivais. O juiz afastou o crime de organização criminosa para “Galego/Amarelo” e “Xeque-Mate”, mantendo só o tráfico. Segundo ele, “não há provas suficientes de vínculo estável com a facção”, traz trecho.
PENAS
Paulão” / “PH” foi condenado a 12 anos, 4 meses e 10 dias de reclusão em regime fechado, “Galego” / “Amarelo” pegou 5 anos e 10 meses de reclusão, regime inicial semiaberto, “Mana Japa” foi condenada a 4 anos, 9 meses e 5 dias de reclusão, “Xiru” foi condenado à pena de 10 anos, sete meses e cinco) dias de reclusão, “Pestinha” foi condenada foi condenada à pena de 10 anos, sete meses e cinco dias de reclusão, “Ton” foi condenado à pena de nove anos, nove meses e 19 dias dereclusão, “Magrão” ou “Grego Loko” foi condenado à pena de 16 anos, seis meses e 21 dias de reclusão,”Patrão” que comandava o tráfico foi condenado, à pena de 14 anos, dois e 10 dias de prisão.
*Fonte: FolhaMax