‘No Brasil de Lula existem duas justiças’, diz o defensor do ex-assessor
O advogado Jeffrey Chiquini comparou, em suas redes sociais, a situação judicial de Daniel Vorcaro, do Banco Master, e a de Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro. As declarações foram feitas nesta sexta-feira, 28, depois de decisão da desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que determinou a soltura de Vorcaro.
Segundo Chiquini, Vorcaro “irá para a casa depois de dez dias”. O advogado observou que o banqueiro “ter sido preso enquanto tentava sair do país em seu avião particular” não impediu a Justiça de avaliar que “não há mais risco de fuga”.
Vorcaro foi preso em 17 de novembro, durante a Operação Compliance Zero, que apura emissão de títulos falsos e outros crimes contra o sistema financeiro. Depois de pedidos anteriores negados, a desembargadora decidiu substituir a prisão por medidas cautelares. Na decisão, afirmou que, “embora inegável a gravidade dos fatos e o vultoso montante financeiro envolvido”, o conjunto de restrições impostas “mostra-se suficiente para, atualmente, acautelar o meio social (…) e coibir o risco de fuga”.
Além do presidente do banco, outros quatro executivos também foram liberados. As medidas incluem tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte e proibição de contato com investigados. A prisão do empresário ocorreu no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos. Ele alegou que viajaria por motivos de negócios, relacionados a negociações para venda da instituição ao Grupo Fictor.
Depois da deflagração da operação policial, o Banco Central liquidou extrajudicialmente o Master. Com aproximadamente R$ 85 bilhões em ativos, a intervenção passou a representar a maior já realizada pelo órgão. O tema passou a repercutir no Congresso e levou parlamentares a pedir investigações adicionais sobre a instituição.
Daniel Vorcaro, do Banco Master, irá para a casa depois de 10 dias. Apesar de ele ter sido preso enquanto tentava sair do país em seu avião particular, a justiça entendeu que não há mais risco de fuga.
— Jeffrey Chiquini (@JeffreyChiquini) November 29, 2025
Filipe Martins, que foi preso por uma viagem que não fez e que a PF sabia que… pic.twitter.com/cAU7c3mA7z
As diferenças entre Filipe Martins e o Banco Master
Em sua publicação, Chiquini também comparou a situação de Vorcaro à de seu cliente, Filipe Martins, que “foi preso por uma viagem que não fez e que a PF sabia que ele não tinha feito”. Segundo o advogado, o ex-assessor “ficou preso mais de seis meses em um presídio de alta periculosidade, dez dias em uma solitária sem iluminação e segue preso em casa até hoje, sob severas restrições, proibido até de ser filmado e fotografado”.
A Procuradoria-Geral da República acusa Martins e outros aliados de Bolsonaro de tentativa de fuga logo depois das eleições de 2022. No entanto, registros oficiais do setor de imigração norte-americano desmentem a versão.
Ao final de sua publicação, Chiquini afirmou que os dois casos revelariam disparidade no tratamento judicial. Para ele, “o contraste entre esses dois casos revela que no Brasil de Lula existem duas justiças: uma justiça leniente e garantista com quem está envolvido com corrupção ou crimes violentos e outra, extremamente rígida e injusta, reservada para quem comete o terrível crime de ser de oposição”.
*Fonte: Revista Oeste