Com a suspensão do deputado federal, ex-senadora retorna ao Congresso Nacional depois de 18 anos
Depois de 18 anos fora do Congresso Nacional, a ex-senadora Heloísa Helena (Rede), de 63 anos, volta à Câmara dos Deputados. Ela assume a cadeira de Glauber Braga (Psol-RJ), suspenso por seis meses por quebra de decoro parlamentar. A punição foi aprovada na quarta-feira 10 por 318 votos a 141.
Heloísa é 1ª suplente da federação Rede-Psol. Eleita senadora pelo PT em 1999, foi expulsa do partido em 2003 depois de votar contra a reforma da Previdência. Em 2004, ajudou a fundar o Psol e, em 2013, a Rede Sustentabilidade.
Ao longo dos anos, teve divergências públicas com Marina Silva. A ministra atribui o rompimento político ao debate interno sobre uma possível fusão com o Cidadania, em 2018.
Em 2013, Heloísa deixou o Psol e migrou para a Rede Sustentabilidade. Na eleição de 2022, concorreu a deputada federal pelo Rio de Janeiro, obteve 38.161 votos e ficou como primeira suplente da federação Psol/Rede.
Já em 2024, disputou uma vaga na Câmara Municipal do Rio, mas novamente não se elegeu: recebeu 11.971 votos e terminou como suplente.
A suspensão de Glauber Braga

A Câmara dos Deputados aprovou a suspensão de 6 meses em vez da cassação. O Psol articulou a votação de um destaque que previa punição mais branda — aprovado por 226 votos a 220. O placar apertado indicou que a cassação dificilmente teria os 257 votos necessários.
Setores da direita e do centrão, então, passaram a apoiar a suspensão para evitar que o deputado ficasse sem punição. Braga foi acusado de agredir Gabriel Costenaro, do Movimento Brasil Livre, em abril de 2024.
O deputado diz que foi provocado e que o ativista o perseguia e insultava sua mãe, doente de Alzheimer. Costenaro, por sua vez, afirma que estava almoçando quando foi atacado e expulso da Câmara a pontapés.
Deputado do Psol alega receber punição ‘dura’
Na terça-feira 9, Glauber protestou contra a votação da cassação ao sentar na cadeira do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A TV Câmara interrompeu a transmissão, e jornalistas foram barrados pela Polícia Legislativa.
Antes de ser retirado à força, houve empurra-empurra entre policiais e imprensa, que foi obrigada a recuar. Alguns jornalistas, incluindo uma repórter da Revista Oeste, foram agredidos.
Motta classificou o ato como “desrespeito” e chamou Glauber de “extremista”. O deputado rebateu dizendo que recebeu tratamento mais duro do que Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC), que ocuparam a Mesa em agosto e saíram sem repressão.
*Fonte: Revista Oeste