Trump diz que não descarta guerra contra a Venezuela

Presidente norte-americano classifica ditadura de Maduro como cartel narcoterrorista

Em entrevista exclusiva à emissora norte-americana NBC News nesta sexta-feira, 19, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não descarta a possibilidade de um conflito militar com a Venezuela. Perguntado diretamente se a opção de guerra estava fora de cogitação, respondeu: “Não descarto, não”.

A declaração foi feita no contexto da intensificação das ações do governo norte-americano contra o regime do ditador Nicolás Maduro. Na última terça-feira, 16, Trump ordenou um bloqueio de navios petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela. Os EUA também apreenderam recentemente um petroleiro capturado nas proximidades do país sul-americano.

De acordo com o presidente, as medidas fazem parte de uma estratégia de pressão contra Caracas. Ao ser perguntado se essas ações poderiam levar a uma guerra, Trump afirmou: “Não discuto isso”. Insistido no tema, confirmou que a possibilidade existe e disse que novas apreensões de petroleiros estão previstas.

Perguntado sobre um eventual cronograma, respondeu: “Se eles forem tolos o suficiente para estarem navegando por aí, vão acabar navegando de volta para um de nossos portos”. Trump também se recusou a dizer se a derrubada de Maduro é seu objetivo final. “Ele sabe exatamente o que quero”, declarou. “Ele sabe melhor do que qualquer um.”

Ditador da Venezuela, Nicolás Maduro | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ditador da Venezuela, Nicolás Maduro | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Entenda o cerco de Trump à Venezuela

O cerco imposto pelo governo Trump à Venezuela combina ações militares no Caribe, medidas econômicas e pressão política direta sobre o regime de Maduro. Segundo o presidente norte-americano, o objetivo é combater o que ele classifica como “narcoterrorismo”, argumento usado para justificar ataques a embarcações suspeitas de transportar drogas. A campanha já resultou em 28 investidas, com mais de cem mortos.

Na prática, a estratégia se concentra no setor petrolífero, principal fonte de receita da Venezuela. Trump ordenou o bloqueio de petroleiros que entram e saem do país, mesmo sob sanções, e autorizou a apreensão de navios que estariam abastecendo aliados de Caracas, como Cuba e Irã. A Casa Branca sustenta que o dinheiro do petróleo financia atividades ilícitas e que o sufocamento econômico pode enfraquecer a ditadura de Maduro.

Além do discurso antidrogas, o cerco tem motivação geopolítica. O governo dos EUA busca conter a influência de China e Rússia na América Latina, especialmente na Venezuela, maior detentora de reservas de petróleo do mundo. O endurecimento da política marca uma tentativa de retomar protagonismo regional e garantir acesso a ativos estratégicos.

Esse movimento externo ocorre enquanto a Venezuela enfrenta agravamento da crise política interna. Maduro ampliou a repressão depois de uma eleição presidencial fraudada e passou a intensificar prisões e vigilância sobre opositores. Nesse contexto, o cerco norte-americano aumenta a tensão no país e mantém em aberto a possibilidade de uma escalada militar, hipótese que o próprio Trump afirmou não descartar.

*Fonte: Revista Oeste