Mobilizações se espalham pelo país, com confrontos e ataques a prédios públicos
O governo do Irã determinou a suspensão de atividades em grande parte do país nesta quinta-feira, 1º, na tentativa de conter protestos que já se estendem por vários dias. A medida atingiu comércios, universidades e repartições públicas em 21 das 31 províncias, inclusive Teerã, em um cenário de inflação alta, instabilidade cambial e queda do poder de compra.
As manifestações ganharam força em centros urbanos e regiões do interior. Registros em vídeo divulgados por grupos de oposição mostram confrontos diretos entre manifestantes e forças de segurança, com palavras de ordem contra o regime e críticas ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. As cenas se repetiram em cidades como Teerã, Isfahan, Shiraz e Kermanshah.
No oeste do país, a tensão resultou na morte de um integrante do Basij, milícia ligada à Guarda Revolucionária Islâmica. O jovem, de 21 anos, atuava como voluntário e morreu em Kuhdasht, na província de Lorestão. Autoridades locais afirmaram que ele foi atingido durante tentativas de conter distúrbios nas ruas. Trata-se da primeira morte confirmada entre agentes de segurança desde o início da onda de protestos.
Prédios públicos atacados e resposta militar do Irã
Uma das situações mais graves ocorreu na cidade de Fasa, no centro-sul do Irã. Imagens que circularam nas redes sociais indicam que manifestantes lançaram objetos contra um complexo administrativo e conseguiram forçar a entrada no local. Relatos de grupos opositores indicam que o gabinete do governador foi invadido, o que levou forças da Guarda Revolucionária a reagir com disparos.
Em Lordegan, no sudoeste do país, protestos também terminaram em confronto. Segundo a agência Fars, participantes atiraram pedras contra prédios oficiais, bancos e uma mesquita. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. A cidade tem cerca de 40 mil habitantes e fica a aproximadamente 650 quilômetros da capital.
Footage from the evening of Thursday, January 1, 2026, shows Iranian forces stationed at Police Station No. 12 in Azna opening direct fire, resulting in the killing of three protesters, including a child. pic.twitter.com/SopbXQXkKf
— Hengaw Organization for Human Rights (@Hengaw_English) January 1, 2026
Outros registros mostram helicópteros militares sobrevoando áreas urbanas, em uma ação interpretada como tentativa de intimidar a população e impedir a expansão dos atos. Em Kermanshah, comerciantes de bazares aderiram aos protestos e enfrentaram forças de segurança, entoando gritos de reprovação aos agentes.
O agravamento da crise ocorre em paralelo a mudanças relevantes no comando do país. O presidente Masoud Pezeshkian nomeou Abdolnaser Hemmati para a presidência do Banco Central, substituindo Mohammad Reza Farzin.
Em declaração divulgada pela agência estatal IRNA, Pezeshkian reconheceu a complexidade da função em meio à turbulência econômica. No mesmo período, Khamenei anunciou Ahmad Vahidi como novo vice-comandante da Guarda Revolucionária, ampliando a sensação de instabilidade política.
*Fonte: Revista Oeste