Em entrevista ao O Globo, o cirurgião Claudio Birolini comentou sobre a saúde do ex-presidente
O cirurgião Claudio Birolini, responsável pelo procedimento mais recente no ex-presidente Jair Bolsonaro, avaliou que a custódia na Superintendência da Polícia Federal (PF) não atende às necessidades médicas do político.
A análise saiu em entrevista ao jornal O Globo, horas antes de o ministro Alexandre de Moraes autorizar exames hospitalares, depois de Bolsonaro se ferir em uma queda na cela. O magistrado liberou a saída do ex-presidente quase 24 horas mais tarde, depois de a PF registrar um caso de “traumatismo craniano”.
Para Birolini, a prisão na PF impõe desafios relevantes ao acompanhamento clínico, sobretudo diante do risco de novos episódios semelhantes. “As quedas são as minhas grandes preocupações neste momento”, afirmou.
O médico destacou que a combinação de idade, porte físico e uso contínuo de CPAP, aparelho que auxilia a respiração durante o sono, amplia a vulnerabilidade. Segundo ele, o ex-presidente dorme em cama estreita e utiliza equipamento conectado à rede elétrica, o que exige atenção constante.
Birolini detalha a rotina médica de Bolsonaro
Birolini também apontou elementos que vão além do quadro físico imediato. “Há ainda mais uma hipótese a ser considerada, o aspecto emocional envolvido nesses meses conturbados”, disse. Ele citou hábitos que podem agravar os sintomas. “Ele fala como se engolisse as palavras e se alimenta de forma rápida.”
Segundo o cirurgião, essas condições podem intensificar problemas já existentes. Birolini relatou que Bolsonaro apresenta dificuldade na locomoção e tendência a tropeçar, embora exames neurológicos não tenham identificado alterações estruturais.
Ao comentar o local da custódia, o médico foi direto. “Não dá para dizer se ele está em um lugar seguro ou inseguro”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Posso afirmar que ele não está em um lugar adequado.”
Na avaliação pessoal do cirurgião, a situação exige outra abordagem. “Na minha opinião pessoal, o ambiente mais adequado neste momento, frente a situação toda, as demandas, os riscos, é o domiciliar”, disse. Apesar da recomendação, Moraes negou em 1º de janeiro a possibilidade de regime domiciliar ao ex-presidente.
Em sua decisão, o ministro afirmou: “Há total ausência dos requisitos legais para a concessão de prisão domiciliar”. Ele justificou a posição citando a “destruição da tornozeleira eletrônica” e supostos “atos concretos visando a fuga”.
Nesta quarta-feira, 7, Bolsonaro seguiu para o hospital DF Star para realizar tomografia, ressonância e eletroencefalograma. Ele não havia feito esses exames desde a queda ocorrida na madrugada desta terça-feira, 6, e os procedimentos exigem ambiente hospitalar especializado.
*Fonte: Revista Oeste