Senadores pedem a Moraes prisão domiciliar humanitária para Bolsonaro

O ex-presidente enfrenta um quadro de traumatismo craniano depois de sofrer uma queda na cela da PF em Brasília

Um grupo de 22 senadores encaminhou, nesta quarta-feira, 7, um abaixo-assinado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no qual pedem a concessão de prisão domiciliar humanitária a Jair Bolsonaro. Os parlamentares afirmam que o quadro de saúde do ex-presidente é grave, complexo e incompatível com a manutenção da prisão.

A manutenção de Bolsonaro sob custódia na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, diz a petição, representa risco concreto à vida do ex-presidente. Os senadores ressaltaram as múltiplas comorbidades de Bolsonaro, de natureza cardiovascular, digestiva, renal, respiratória e metabólica. Algumas são sequelas permanentes do atentado sofrido em 2018.

“O Presidente Jair Bolsonaro, sob custódia do Estado, foi deixado à própria sorte depois de um acidente grave que colocou sua vida em risco real”, escreveu o senador Jorge Seif (PL-SC), um dos signatários da petição. “Se o Estado não consegue garantir a integridade física do presidente Jair Bolsonaro, ele não tem o direito de mantê-lo sob esse regime. Não estamos pedindo clemência, estamos exigindo isonomia.”

Veja os signatários da petição:

  • Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)
  • Bruno Bonetti (PL-RJ)
  • Carlos Portinho (PL-RJ)
  • Ciro Nogueira (PP-PI)
  • Cleitinho (Republicanos-MG)
  • Eduardo Girão (Novo-CE)
  • Eduardo Gomes (PL-TO)
  • Esperidião Amin (PP-SC)
  • Eudócia (PL-AL)
  • Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
  • Izalci Lucas (PL-DF)
  • Jaime Bagattoli (PL-RO)
  • Jorge Seif (PL-SC)
  • Magno Malta (PL-ES)
  • Marcio Bittar (PL-AC)
  • Marcos do Val (Podemos-ES)
  • Mecias de Jesus (Republicanos-RR)
  • Plínio Valério (PSDB-AM)
  • Rogério Marinho (PL-RN)
  • Tereza Cristina (PP-MS)
  • Wellington Fagundes (PL-MT)
  • Wilder Morais (PL-GO)

A mobilização sucede a queda sofrida por Bolsonaro na madrugada da última terça-feira, 6, na sala especial onde está detido. O acidente foi divulgado inicialmente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Médicos que acompanham o ex-presidente recomendaram avaliação hospitalar urgente.

De acordo com os senadores, o atendimento só aconteceu mais de 24 horas depois — demora que, para eles, demonstra falhas do Estado em garantir a saúde do custodiado. O médico Cláudio Birolini, responsável pelas cirurgias abdominais de Bolsonaro, concorda.

Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está internado no Hospital DF Star, em Brasília | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebe tratamento no Hospital DF Star, em Brasília | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Ele não está em um lugar adequado. Na minha opinião pessoal, o ambiente mais adequado neste momento, frente a situação toda, as demandas, os riscos, é o domiciliar”, afirmou Birolini em entrevista ao jornal O Globo publicada nesta quarta-feira.

Bolsonaro tem crises recorrentes de soluços e apneia do sono, sequelas da facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018. Nesta terça-feira, a queda da cama teria causado ferimentos na cabeça e em um dos pés. Ele passou por exames no Hospital DF Star.

Moraes suspende pedido de sindicância do CFM sobre Bolsonaro

O Conselho Federal de Medicina (CFM) determinou a abertura de uma sindicância para apurar possíveis falhas na assistência médica prestada ao ex-presidente. A decisão foi tomada diante do recebimento de relatos formais que levantam dúvidas sobre a garantia de atendimento adequado.

Moraes, entretanto, suspendeu todas as apurações. O ministro do STF considerou que a abertura de uma sindicância pelo CFM é “flagrantemente ilegal”. Para o magistrado, isso representa desvio de finalidade. Ele determinou a proibição de quaisquer investigações similares tanto no âmbito nacional quanto no estadual.

*Fonte: Revista Oeste