FGC pode gastar quase R$ 50 bi com falências do Master e do Will Bank

Reembolsos a clientes de duas instituições liquidadas representam cerca de 30% do caixa do fundo

O rombo provocado pelas liquidações do Banco Master e do Will Bank pode consumir até R$ 46,9 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O valor corresponde a quase 30% do total disponível no fundo, que encerrou setembro de 2025 com R$ 160 bilhões em caixa.

A estimativa do FGC se baseia nos dados declarados pela Will Financeira em novembro, antes da liquidação definitiva. A instituição deve gerar R$ 6,3 bilhões em indenizações. Já o caso do Master exige um montante bem maior: R$ 40,6 bilhões, segundo os cálculos preliminares do próprio fundo.

Essas garantias só serão pagas depois da consolidação final dos dados feita pelo liquidante designado pelo Banco Central (BC). O FGC cobre valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, com limite global de R$ 1 milhão por CPF a cada quatro anos.

Criado para proteger depositantes do Sistema Financeiro Nacional, o FGC funciona como um seguro bancário. Mais de 220 instituições participam do fundo, incluindo bancos públicos, privados, de desenvolvimento e de investimento.

Essas instituições pagam mensalmente ao fundo o equivalente a 0,01% do saldo dos depósitos elegíveis.

BC destaca impacto da falência do Will Bank em regiões vulneráveis

O BC decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank nesta quarta-feira, 21, dois meses depois de encerrar as operações do Master. Segundo a autarquia, o adiamento atendeu a uma preocupação social: o papel de “inclusão financeira” da instituição.

Dados apresentados ao Tribunal de Contas da União mostram que a instituição mantinha 7 milhões de contas ativas até o fim de 2025. A maior parte dos clientes pertencia às classes C, D e E, com forte presença em pequenas cidades do Nordeste.

O BC classificou o Will como primeira e única experiência de bancarização para muitos moradores dessas localidades. Municípios com menos de 100 mil habitantes concentram a maioria dos clientes da empresa.

Em nota ao TCU, o BC ressaltou que a liquidação do Will traria “efeitos sociais extremamente adversos e dificilmente reversíveis”.

*Fonte: Revista Oeste