Levantamento aponta atuação coordenada em licitações do setor rodoviário federal
Um grupo de empresas concentrou contratos bilionários de pavimentação firmados com o governo federal desde 2015, com atuação recorrente em licitações do setor rodoviário. A apuração é do portal UOL, que analisou dados de contratos, pagamentos e certames do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para levantar a suspeita de cartel.
Os dados mostram que essas companhias participaram de cerca de um terço das licitações. Do total contratado, ao menos R$ 18,6 bilhões já foram pagos. Parte dos recursos teve origem em emendas parlamentares.
Entre 2023 e 2025, os repasses atingiram R$ 11,7 bilhões, em valores corrigidos. As empresas firmaram mais de 170 contratos nesse período, com valor mínimo estimado em R$ 9,4 bilhões. Parte desses acordos teve assinatura ainda no governo anterior.
Cade investiga papel da LCM no suposto cartel
Segundo investigações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a LCM Construções ocupa posição central no esquema apurado. A empresa reúne contratos que alcançam cerca de R$ 17 bilhões, com pagamentos que superam R$ 12 bilhões. O crescimento ocorreu a partir de 2015, quando grandes empreiteiras perderam espaço no setor.
O portal indica que a LCM manteve contratos em superintendências do Dnit em vários Estados. A empresa e seu controlador, Luiz Otávio Fontes Junqueira, também são alvos da operação Route 156, que apura suspeitas de fraude em licitações no Amapá. Um suplente do senador Davi Alcolumbre (União Brasil – AP) foi citado na investigação.
O Cade aponta que o grupo atuou também em outros órgãos, como a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba. Segundo os investigadores, as empresas usaram sociedades em conta de participação para repassar obras, prática vedada em licitações. A estratégia permitia a divisão posterior dos contratos, sem relação com o resultado formal dos certames.
Um pregão em Minas Gerais ilustra o método. A empresa declarada vencedora repassou quase a totalidade do contrato à LCM por meio desse tipo de sociedade, conforme documentos analisados pelo Cade.
Em nota ao UOL, a LCM afirmou que não participou de práticas anticoncorrenciais e que prestará esclarecimentos ao Cade. O Dnit informou que coopera com as investigações e mantém mecanismos internos de controle para apurar irregularidades.
*Fonte: Revista Oeste