Delcy Rodríguez, sobre influência externa: ‘Já basta das ordens de Washington’

Líder chavista tenta equilibrar discurso nacionalista com acordos energéticos com Donald Trump

A líder interina do regime chavista, Delcy Rodríguez, endureceu o discurso contra os Estados Unidos e rejeitou a permanência de influência estrangeira sobre a Venezuela. Em pronunciamento neste domingo, 25, ela declarou que o país não aceitará mais ordens de Washington.

“Já basta das ordens de Washington sobre políticos na Venezuela”, disse Rodríguez, em discurso no Estado de Anzoátegui. “Que seja a política venezuelana a resolver nossas divergências e nossos conflitos internos. Já basta de potências estrangeiras.”

A fala ocorre três semanas depois da ofensiva militar norte-americana que resultou na captura de Nicolás Maduro. Em Nova York, o ditador responde por narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e posse ilegal de metralhadoras.

No sábado 24, Rodríguez já havia solicitado a abertura de conversas com forças dissidentes. “Não pode haver diferenças nem políticas nem partidárias quando se trata da paz na Venezuela”, disse. “A partir das diferenças, temos que nos falar com respeito. A partir das diferenças, temos que nos encontrar e alcançar a todos.”

A Venezuela enfrenta um regime ditatorial há anos. Em 2024, protestos contra a permanência de Maduro no poder resultaram na prisão de mais de 2 mil pessoas em apenas dois dias. O país também segue sob um estado de comoção que criminaliza o apoio a ações militares dos EUA.

Enquanto ataca os EUA, Rodríguez embolsa milhões de Washington

Enquanto critica a influência norte-americana, Rodríguez celebra os milhões de dólares recebidos dos EUA pela venda de petróleo. Nos últimos dias, o governo de Donald Trump repassou US$ 300 milhões à Venezuela, referentes ao primeiro pagamento do acordo de fornecimento de 50 milhões de barris firmado entre Washington e Caracas.

Durante o Fórum Econômico Mundial, na Suíça, Trump afirmou que a Venezuela buscou rapidamente um acordo com Washington logo depois da captura de Maduro. Segundo ele, Rodríguez demonstrou interesse em firmar parcerias e, inclusive, incentivou outros países a seguirem o mesmo caminho firmado por Caracas.

*Fonte: Revista Oeste